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quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Exu na Santeria

Bastão ritual de Exu - Iorubá
<http://www.hali.com/news/tribal-art-returns-to-parcours-des-mondes-paris/>

Exu (ou Eshu) é um orixá que rege as manifestações do malévolo. Para que o bem se manifeste, há de se ter consciência do mal. É o responsável por armadilhas e por enganar tanto os homens quanto os orixás. Representa as desgraças que se abatem em nossa vidas quando não estamos em sintonia ou equilíbrio com as coisas à nossa volta. Exu é responsabilidade somente dos sacerdotes, que se encarregam deles, e não faz a cabeça de ninguém e tampouco se assenta. A maioria dos orixás é acompanhada por um Exu específico.

A dupla Elegua - Exu representa o constante vínculo entre o positivo e o negativo, lembrando que toda mudança exige uma crise. Quando um lar está protegido, nota-se a presença de Elegua, e quando surgem problemas é porque Exu apareceu. Os ocidentais confundiram Exu com o diabo, mas em nada se assemelham, já que seu objetivo é semear o caos para que se tomem atitudes para recuperar o equilíbrio.

Diferentes caminhos de Exu na Santeria:
Eshu Abalonke: o que guia a alma dos mortos
Eshu Abainukue: guardião dos terreiros
Eshu Abarikoko: intermediário dos terreiros contra denúncias infundadas
Eshu Aberu: o que recebe os sacrifícios
Eshu Aboni: protetor contra magia negra e feitiços
Eshu Afradi: o ajudante de Ifá
Eshu Aganika: conhecido por ser mau e extremamente perigoso
Eshu Agbadé: o que vive junto a Obbatalá
Eshu Agbalonké: o que guia os eguns
Eshu Agbanile: o que ajuda no transporte e limpeza dos ebós
Eshu Agongo Olo Onya: o que vive nas margens do caminho
Eshu Agongo Ogo: o que ataca os adversários e defende dos inimigos
Eshu Agogo: o que preside as horas
Eshu Agomeyo: o que vem da terra de Oyó
Eshu Agroiele: o ajudante de Ifá da nação Arará
Eshu Aiyede: o que leva as orações dos homens e dá a luz das visões proféticas
Eshu Akarajéu: o que tomou o raio de Shango e o fez engolir
Eshu Akere: o que vive sobre as montanhas
Eshu Akokolebiye: o brincalhão
Eshu Alagbóna: o chefe dos egungun, responsável por infligir castigos e desgraças
Eshu Alakétu: representante da sensualidade e sexualidade
Eshu Alawana: dono das trancas, representa a desesperança e o infortúnio
Eshu Alayikí: glutão e imprevisível, representa a traição e o inesperado
Eshu Alimu: o que trabalha com Babalú Ayé
Eshu Aloma: enigmático, ataca com fogo e tem ligação com os mortos
Eshu Alufama: responsável pelo matrimônio
Eshu Añaki Olokun: senhor da sabedoria, rege os sentimentos incompreendidos
Eshu Aroni: conhecedor dos segredos mágicos, mas extremamente violento
Eshu Aselu: o que vigia os erros dos filhos de santo
Eshu Ashikuelu: senhor da terra, ajuda no cultivo e na fertilidade
Eshu Awaloboma: o que trabalha com o destino dos iniciados junto ao Ifá
Eshu Awere: o que reconcilia os inimigos e ajuda os perdidos
Eshu Ayé: o que trabalha com Olokun
Eshu Barabé: o que está sempre pronto a transmitir as mensagens aos orixás
Eshu Baradage: o que trabalha com serpentes e caminha com Ogun
Eshu Baralajiki: amante de festas, protege contra a falsidade
Eshu Baralona: senhor dos caminhos, capaz de mudá-los para o bem ou mal
Eshu Barañiki: revoltado e caprichoso, representa as surpresas, o inesperado
Eshu Barokeño: o que gosta de confundir
Eshu Batioye: o que vence todos os obstáculos
Eshu Beleke: conhecedor dos remédios e das ervas que curam
Eshu Bí: apreciador de maldades e causador de toda sorte de acidentes
Eshu Birí: o que está sempre viajando, encontra soluções a todos os problemas
Eshu Bode: guardião que acompanha egun
Eshu Dare: o que traz as bênçãos de Oloddumare
Eshu Diki: o anfitrião, ajuda a criar e fortalecer amizades
Eshu Ekileyo: protetor dos que buscam conhecimento
Eshu Ekuboro: representante da vida e da morte
Eshu Elegbara: o que controla os ebós e sacrifícios
Eshu Emere: o que vive forrado de contas e conchas
Eshu Esherike: amigo de Ossain
Eshu Griyelú: o guia de Olófin
Eshu Igidé: o que abre os caminhos dos montes
Eshu Ijelú: apreciador da dança, está relacionado com os tambores
Eshu Iña: representa o fogo sagrado e purificador, que impulsiona o movimento
Eshu Kaminalowá: o que abre os caminhos para as almas dos recém falecidos
Eshu Laboni: o mensageiro de Oshun
Eshu Laroye: amante do dinheiro, guardião dos mendigos e desamparados
Eshu Layé: o que faz justiça
Eshu Lodé: o bruxo que vive a vagabundear pelas ruas
Eshu Marimaiyé: o guardião dos cemitérios
Eshu Masankio: o que ajuda a tomar decisões difíceis
Eshu Meko: o ladrão, gosta de esconder as coisas por pura maldade
Eshu Ni Bakuo: o que guarda todas as pessoas
Eshu Obasin Layé: conhecedor dos saberes políticos e legais
Eshu Oddemasa: o volúvel, que requer atenção constante
Eshu Ojuani Lelé Alaroye: causador de brigas e acidentes
Eshu Okuanda: o que vive no lixo
Eshu Shiguide: o vingativo
Eshu Sibonoku: o que procura os mortos
Eshu Soko Yoki: o que incorpora nos iniciados

Informações retiradas do site Religion Yoruba, disponível em <www.cubayoruba.blogspot.com>.
Tradução e adaptação de Reconstruindo Exu.

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Elegua

Representação de Elegua

Na Santeria, também conhecida como Regla de Ocha, encontraremos o culto à entidade Elegua, apresentado como o ocha (orixá) dos caminhos, responsável pelas passagens e por colocar os homens em contato com os outros ochas. É considerado um dos quatro ochas guerreiros da Santeria, juntamente com Ogun, Ochossi e Osun.

Sua aparência assemelha-se à de uma criança, o que o levou a ser sincretizado com o Menino Jesus de Atocha (Niño de Atocha). Entretanto, ao contrário do que os leigos podem pensar, Elegua não é uma criança, mas tão somente possui uma estatura pequena. Na condição de ocha, Elegua nunca poderia ser uma criança, uma vez que ele nunca nasceu.

Representação do Menino Jesus de Atocha

Como em outros casos, Elegua se manifesta de diferentes modos, de acordo com as necessidades e funções:
Elegua Abaile: responsável por encaminhar as oferendas ao seu destino.
Elegua Afrá: responsável por cuidar de casos de doença.
Elegua Agbanukué: guardião dos terreiros.
Elegua Agogo: o que preside a mudança das horas.
Elegua Agongo Ogo: portador do ogó, que usa para atacar ou defender-se.
Elegua Akéru: mensageiro.
Elegua Akesan: o que vem do reino de Oyó.
Elegua Alá Le Ilú: o que tem título de nobreza nas cidades e povoados.
Elegua Alá Lu Banshé: senhor do destino.
Elegua Alaketu: senhor da sexualidade.
Elegua Alaroye Akokelebiyú: o vingativo e mau caráter.
Elegua Añanki: a mãe de todos os Eleguas.
Elegua Awala Boma: o responsável pelas obrigações dos iniciados.
Elegua Awó Bara: o que sustenta o Ifá.
Elegua Aye: o que trabalha com Olokun.
Elegua Bode: guardião que acompanha egum.
Elegua Elegbara: o que controla os sacrifícios.
Elegua Elufé: o ancestral.
Elegua Gogo: senhor da justiça e das dívidas.
Elegua Isheri: senhor do poder das plantas.
Elegua Laye: o justiceiro.
Elegua Manzaquillo: responsável por ajudar em casos de difícil resolução.
Elegua Odara: senhor das transformações.
Elegua Okada: o que se alimenta das sobras das oferendas.
Elegua Opin: responsável pelos limites e fronteiras.
Elegua Oro: senhor das palavras e da comunicação.
Elegua Wara: responsável pelas relações pessoais.

Elegua é representado e firmado por uma pequena escultura a que se chama de carga. Cada Elegua tem uma carga específica, diferente umas das outras. Além disso, Elegua também pode ser representado por uma escultura de aparência humana e pequena adornada por um chapéu de palha.

Carga de Elegua feita de cimento e conchas

domingo, 5 de janeiro de 2014

Exu e o Ano Novo - parte 2


O sacerdote de Santeria, ou babalawo, Jose Manuel Estrada, 24, borrifa rum na base da estátua de Eshu-Elegbara no mercado de Cuatro Caminos em Havana, Cuba, segunda, 30 de dezembro de 2013. Cerca de 200 pessoas se reuniram no mais importante mercado de Havana para entoar cantos cerimoniais na língua yorubá e cuspir rum em uma estátua de quase 1 metro banhada de sangue. Dois bodes e dois galos foram sacrificados e seu sangue foi usado para banhar a estátua. Devotos também ofertaram coco, melancia, doces e flores. (AP Photo/Franklin Reyes)

Disponível em:
Texto original em inglês. Tradução do blog Reconstruindo Exu. Acesse o link acima para mais fotos.