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segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Exu no 23º Encontro da Anpap



No dia 19 de setembro de 2014 foi apresentado o artigo "A Reconstrução de Exu: análise poética de aspectos do imaginário religioso e popular", durante o 23º Encontro da Associação Nacional dos Pesquisadores em Artes Plásticas - Anpap, ocorrido nas dependências da Universidade Federal de Minas Gerais, na cidade de Belo Horizonte.
A associação foi fundada em  1987 com o objetivo de agregar pesquisadores para divulgação e promoção de investigações no campo das artes visuais. Entre os seus fundadores destacam-se os nomes de Aracy Amaral, Regina Silveira, Silvio Zamboni, Walter Zanini, Diana Domingues e Paulo Herkenhoff. Atualmente a associação conta com membros de todo país, grande parte vinculados a universidades públicas.
O artigo apresentou a pesquisa desenvolvida por Leopoldo Tauffenbach e Alexandre Furtado para o projeto de residência artística "Obras em Construção", da Casa das Caldeiras (São Paulo), que motivou a criação deste site e gerou a instalação apresentada nos meses de julho e outubro de 2013.
O artigo, que integra os anais do evento, pode ser lido neste link. A seguir, fotos da apresentação realizada no auditório do conservatório da UFMG.

Foto de Fabio Oliveira Nunes

Foto de Fabio Oliveira Nunes

Foto de Fabio Oliveira Nunes

Foto de Valéria Favoretto

Foto de Fabio Oliveira Nunes

Foto de Fabio Oliveira Nunes

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Exu e o Ano Novo


O projeto Recostruindo Exu deseja a todos os seus leitores, colaboradores e apoiadores um excelente 2014, com todas as proteções de Exu!

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Iconologia do ebó - parte 7

Série de postagens explorando a iconografia dos ebós apresentados na instalação "Reconstruindo Exu".

Foto de Danilo Menezes.

1- História
A história de Exu no Brasil se inicia com a vinda dos primeiros escravos para cá, trazidos à força pelos colonizadores portugueses. Tragicamente a presença de Exu nessas terras (assim como a de todos os outros orixás) teve como custo o sacrifício de milhões de africanos. Aqui, as penas arrancadas remetem aos africanos cujas vidas foram deliberadamente ceifadas pelos portugueses.


Foto de Danilo Menezes.

1- Sacrifício
Sendo personificações de forças da natureza, todos os orixás estão intimamente associados a elementos de origem mineral, vegetal e animal. Cada entidade possui um animal litúrgico, por exemplo, não raro o mesmo que é oferecido em sacrifício diante da necessidade ritual. Exu possui dois animais litúrgicos: o galo e o bode. Coincidentemente, o galo também é um animal associado à cultura portuguesa na figura do Galo de Barcelos. E aqui se mostra o contraste gritante entre as diferentes visões do mesmo símbolo: sacrificador em nome da soberania de uma cultura e sacrificado por não pertencer a esta cultura.

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Iconologia do ebó - parte 6

Série de postagens explorando a iconografia dos ebós apresentados na instalação "Reconstruindo Exu".

Foto de Danilo Menezes.

1- Arte e criatividade
Sendo uma entidade em íntima conexão com a sexualidade, Exu naturalmente está ligado também aos atos criativos e artísticos. Tanto é que existe uma falange de exus na umbanda que se ocupam da música e da dança, por exemplo. Aqui, a imagem de Exu Capa Preta da Encruzilhada evoca a imagem de Zé do Caixão, personagem criado pelo cineasta José Mojica Marins, em um alguidar ornado por um rolo de película cinematográfica de 8mm e sua respectiva lata ao fundo.

Foto de Danilo Menezes.

2- Oferenda
O marafo é a bebida que se põe a Exu quando se realiza uma oferenda. Sinônimo de cachaça em certas regiões do país, batizou a aguardente que levava o nome do personagem de Mojica. Segundo o diretor, em entrevista ao site Futepoca, a cachaça teve uma curta vida no mercado devido à ganância dos produtores que passaram a fabricar uma bebida de baixíssima qualidade após o sucesso de vendas das primeiras unidades. Para a exposição da obra "Reconstruindo Exu" o rótulo da bebida foi reproduzido e colado em garrafas que foram preenchidas de aguardente e oferecidas ao público que visitou a instalação.

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Iconologia do ebó - parte 5

Série de postagens explorando a iconografia dos ebós apresentados na instalação "Reconstruindo Exu".

Foto de Danilo Menezes.

1- Caminhos
Exu é uma entidade associada à ideia de caminhos e passagens. Como responsável pela comunicação, faz sentido que cuide para que a informação chegue sempre ao seu destino.  Na umbanda muitos dos nomes dos exus confirmam o caráter do encontro, passagem, transposição e percurso: Exu 7 Encruzilhadas, Exu Tranca Rua, Exu Porteira, Exu 7 Estradas, Exu Destranca Rua etc. As correntes, chaves e cadeados são signos que carregam a tanto a ideia de impedimento e proibição em um percurso como a autorização e a exclusividade, o privilégio da passagem. Para a composição deste ebó foi pedido que as pessoas ofertassem chaves, correntes e cadeados, em uma ação simbólica para se desfazerem de quaisquer impedimentos no trajeto em direção aos seus objetivos.

Foto de Danilo Menezes.

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Iconologia do ebó - parte 4

Série de postagens explorando a iconografia dos ebós apresentados na instalação "Reconstruindo Exu".


Foto de Danilo Menezes.

1- Sexualidade e fertilidade
O instrumento mágico de Exu é o ogó, um bastão em formato fálico que representa a sexualidade e a o poder da fertilidade. A fertilidade e o prazer não estão associados somente ao ato sexual, mas a qualquer ato criador, incluindo as manifestações artísticas. Neste ebó evidencia-se esse aspecto apresentando um falo de borracha como um ogó contemporâneo e em um arranjo de pimentas, ingrediente fundamental em oferendas a Exu, que no senso comum está associado ao prazer do ato sexual.

Foto de Danilo Menezes.

domingo, 15 de setembro de 2013

Iconologia do ebó - parte 3

Série de postagens explorando a iconografia dos ebós apresentados na instalação "Reconstruindo Exu".

Foto de Danilo Menezes.

1- Comunicação
Exu é o orixá da comunicação. Intermediário entre os homens e os outros orixás, é dele a responsabilidade de transmitir as mensagens aos destinatários e fazer com que sejam bem compreendidas. A hiper-conectividade como característica da sociedade contemporânea nos apresenta uma série de dispositivos que ampliam a capacidade de comunicação entre os indivíduos. Ao mesmo tempo que não encontramos barreiras que impeçam a comunicação, tornamo-nos muitas vezes redundantes e superficiais. O aparelho de celular é apresentado como ícone deste modelo comunicacional contemporâneo, o modelo da comunicação imediata, mediada pelo dispositivo eletrônico, mas que pode ser esvaziado no conteúdo.

Foto de Danilo Menezes.

2- Farofa
Uma das comidas de Exu é a farofa, em geral preparada com aguardente e dendê. Mas a palavra "farofa" pode ser sinônimo de algo interferente. Segundo Leo Marcos José da Silva, no artigo A gíria como participante do falar brasileiro, o termo pode ser usado para designar uma pessoa que acompanha uma moça e atrapalha ou impede o galanteio, ou ainda como sinônimo de confusão, falatório ou muvuca. A farofa guarda vários aparelhos celulares, atentando para os aspectos da comunicação em tempos de hiper-conectividade.

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Iconologia do ebó - parte 2

Série de postagens explorando a iconografia dos ebós apresentados na instalação "Reconstruindo Exu".

Foto de Danilo Menezes.

1- Garfo de ferro
O garfo de ferro é uma ferramenta usada nos trabalhos dedicados ao assentamento de Exu. O assentamento trata de criar um ponto físico, permanente ou não, que delimita o espaço de manifestação daquela entidade. É a criação de um espaço sagrado em meio ao espaço profano.

Foto de Danilo Menezes.

2- Guias
Guias são colares usados pelos adeptos dos cultos de matriz africana. Amuletos poderosos, capazes de canalizar energias sobrenaturais, protegendo os médiuns. As diferentes cores e tamanhos referem não só a um orixá ou entidade, mas também a relação mantida pelo adepto. De certa forma, a guia é como uma aliança, não rígida e estrita, exigente de fidelidade, mas íntima e fluida, símbolo de uma conexão espiritual. As guias podem mudar de forma e tamanho segundo a intuição do iniciado.
Tanto a guia como o garfo de ferro são símbolos de ligação entre o homem e o mundo físico com o sobrenatural.

Iconologia do ebó - parte 1

Série de postagens explorando a iconografia dos ebós apresentados na instalação "Reconstruindo Exu".

Foto de Danilo Menezes.

1 - Velas e fogo
Na tradição do candomblé cada orixá está intimamente conectado a elementos da natureza. Um dos elementos associados a Exu é o fogo. No sincretismo da umbanda e na visão cristianizada de Exu com a simbologia infernal essa associação ganha contornos mais destacados. As velas carregam as cores de exu na umbanda: preto e vermelho. Vale dizer que existem velas com inúmeros formatos, convenientes ao tipo de trabalho que se está realizando. São muitas as velas específicas para os trabalhos de esquerda, com o formato de exus ou partes do corpo humano ou propriedades materiais, como casas e carros.

Foto de Leopoldo Tauffenbach.

2- Santo Antônio
Na umbanda, o orixá Exu é sincretizado com Santo Antônio. Aqui uma pequena imagem aparece sobre uma caixa de pó cruzado - pó especial para a realização de trabalhos mágicos - onde se lê "EXU". A imagem está no meio de outras duas caixas com os dizeres "ABRE CAMINHOS" e "DESPACHO".

Foto de Leopoldo Tauffenbach.

3- Guardiões
Nas palavras de Reginaldo Prandi, Exu "é também o guardião da porta da rua e o dono das encruzilhadas". Isso explica a presença de imagens de exus nas entradas dos terreiros e das lojas de artigos religiosos. As duas velas em forma de exus fazem referência a esta função atribuída à entidade.

domingo, 21 de julho de 2013

Reconstruindo Exu na Casa das Caldeiras


Dos dias 14 a 23 de julho a exposição Tempo Forte, na Casa das Caldeiras, em São Paulo, apresentou os trabalhos dos artistas atualmente em residência. Nesta ocasião foi apresentada a instalação "Reconstruindo Exu", uma obra poética que sintetiza alguns dos resultados obtidos durante a pesquisa registrada neste blog.
Abaixo estão algumas fotos da instalação. Mais imagens podem ser vistas no álbum "Reconstruindo Exu", no Flickr: <http://www.flickr.com/photos/tauffenbach/sets/72157634745199568/>.

terça-feira, 9 de julho de 2013

Exu na Casa das Caldeiras

No próximo domingo, 14 de julho, o Ministério da Cultura e a Casa das Caldeiras apresentam a primeira exposição do Programa de Residência Artística "Obras em Construção", com obras resultantes desta primeira fase do processo de residência.

O projeto "A Reconstrução de Exu", de Alexandre Furtado e Leopoldo Tauffenbach irá apresentar uma instalação que sintetiza os resultados da investigação desenvolvida nestes primeiros meses.

Além da instalação do projeto, o público poderá conferir as obras e performances dos artistas Ricardo de Castro, Élcio Miazaki, Flávia Mielkin, Ivan Chiarelli, Bruno Gold, Coletivo Pi e Núcleo Aqui Mesmo.

A abertura acontece no domingo, dia 14, das 16h às 20h. A visitação acontece nos dias 15, 16, 21, 22 e 23. Durante a semana a Casa das Caldeiras está aberta das 9h às 17h. Dia 21h novamente das 16h às 20h.

Estão todos convidados. A entrada é franca e aberta.

A Casa das Caldeiras fica na Avenida Francisco Matarazzo, 2000, em frente ao Palmeiras e entre os shoppings Bourbon e West Plaza, próximo à estação Barra Funda.