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segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Iconologia do ebó - parte 7

Série de postagens explorando a iconografia dos ebós apresentados na instalação "Reconstruindo Exu".

Foto de Danilo Menezes.

1- História
A história de Exu no Brasil se inicia com a vinda dos primeiros escravos para cá, trazidos à força pelos colonizadores portugueses. Tragicamente a presença de Exu nessas terras (assim como a de todos os outros orixás) teve como custo o sacrifício de milhões de africanos. Aqui, as penas arrancadas remetem aos africanos cujas vidas foram deliberadamente ceifadas pelos portugueses.


Foto de Danilo Menezes.

1- Sacrifício
Sendo personificações de forças da natureza, todos os orixás estão intimamente associados a elementos de origem mineral, vegetal e animal. Cada entidade possui um animal litúrgico, por exemplo, não raro o mesmo que é oferecido em sacrifício diante da necessidade ritual. Exu possui dois animais litúrgicos: o galo e o bode. Coincidentemente, o galo também é um animal associado à cultura portuguesa na figura do Galo de Barcelos. E aqui se mostra o contraste gritante entre as diferentes visões do mesmo símbolo: sacrificador em nome da soberania de uma cultura e sacrificado por não pertencer a esta cultura.

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Iconologia do ebó - parte 6

Série de postagens explorando a iconografia dos ebós apresentados na instalação "Reconstruindo Exu".

Foto de Danilo Menezes.

1- Arte e criatividade
Sendo uma entidade em íntima conexão com a sexualidade, Exu naturalmente está ligado também aos atos criativos e artísticos. Tanto é que existe uma falange de exus na umbanda que se ocupam da música e da dança, por exemplo. Aqui, a imagem de Exu Capa Preta da Encruzilhada evoca a imagem de Zé do Caixão, personagem criado pelo cineasta José Mojica Marins, em um alguidar ornado por um rolo de película cinematográfica de 8mm e sua respectiva lata ao fundo.

Foto de Danilo Menezes.

2- Oferenda
O marafo é a bebida que se põe a Exu quando se realiza uma oferenda. Sinônimo de cachaça em certas regiões do país, batizou a aguardente que levava o nome do personagem de Mojica. Segundo o diretor, em entrevista ao site Futepoca, a cachaça teve uma curta vida no mercado devido à ganância dos produtores que passaram a fabricar uma bebida de baixíssima qualidade após o sucesso de vendas das primeiras unidades. Para a exposição da obra "Reconstruindo Exu" o rótulo da bebida foi reproduzido e colado em garrafas que foram preenchidas de aguardente e oferecidas ao público que visitou a instalação.

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Iconologia do ebó - parte 5

Série de postagens explorando a iconografia dos ebós apresentados na instalação "Reconstruindo Exu".

Foto de Danilo Menezes.

1- Caminhos
Exu é uma entidade associada à ideia de caminhos e passagens. Como responsável pela comunicação, faz sentido que cuide para que a informação chegue sempre ao seu destino.  Na umbanda muitos dos nomes dos exus confirmam o caráter do encontro, passagem, transposição e percurso: Exu 7 Encruzilhadas, Exu Tranca Rua, Exu Porteira, Exu 7 Estradas, Exu Destranca Rua etc. As correntes, chaves e cadeados são signos que carregam a tanto a ideia de impedimento e proibição em um percurso como a autorização e a exclusividade, o privilégio da passagem. Para a composição deste ebó foi pedido que as pessoas ofertassem chaves, correntes e cadeados, em uma ação simbólica para se desfazerem de quaisquer impedimentos no trajeto em direção aos seus objetivos.

Foto de Danilo Menezes.

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Iconologia do ebó - parte 4

Série de postagens explorando a iconografia dos ebós apresentados na instalação "Reconstruindo Exu".


Foto de Danilo Menezes.

1- Sexualidade e fertilidade
O instrumento mágico de Exu é o ogó, um bastão em formato fálico que representa a sexualidade e a o poder da fertilidade. A fertilidade e o prazer não estão associados somente ao ato sexual, mas a qualquer ato criador, incluindo as manifestações artísticas. Neste ebó evidencia-se esse aspecto apresentando um falo de borracha como um ogó contemporâneo e em um arranjo de pimentas, ingrediente fundamental em oferendas a Exu, que no senso comum está associado ao prazer do ato sexual.

Foto de Danilo Menezes.

domingo, 15 de setembro de 2013

Iconologia do ebó - parte 3

Série de postagens explorando a iconografia dos ebós apresentados na instalação "Reconstruindo Exu".

Foto de Danilo Menezes.

1- Comunicação
Exu é o orixá da comunicação. Intermediário entre os homens e os outros orixás, é dele a responsabilidade de transmitir as mensagens aos destinatários e fazer com que sejam bem compreendidas. A hiper-conectividade como característica da sociedade contemporânea nos apresenta uma série de dispositivos que ampliam a capacidade de comunicação entre os indivíduos. Ao mesmo tempo que não encontramos barreiras que impeçam a comunicação, tornamo-nos muitas vezes redundantes e superficiais. O aparelho de celular é apresentado como ícone deste modelo comunicacional contemporâneo, o modelo da comunicação imediata, mediada pelo dispositivo eletrônico, mas que pode ser esvaziado no conteúdo.

Foto de Danilo Menezes.

2- Farofa
Uma das comidas de Exu é a farofa, em geral preparada com aguardente e dendê. Mas a palavra "farofa" pode ser sinônimo de algo interferente. Segundo Leo Marcos José da Silva, no artigo A gíria como participante do falar brasileiro, o termo pode ser usado para designar uma pessoa que acompanha uma moça e atrapalha ou impede o galanteio, ou ainda como sinônimo de confusão, falatório ou muvuca. A farofa guarda vários aparelhos celulares, atentando para os aspectos da comunicação em tempos de hiper-conectividade.

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Iconologia do ebó - parte 2

Série de postagens explorando a iconografia dos ebós apresentados na instalação "Reconstruindo Exu".

Foto de Danilo Menezes.

1- Garfo de ferro
O garfo de ferro é uma ferramenta usada nos trabalhos dedicados ao assentamento de Exu. O assentamento trata de criar um ponto físico, permanente ou não, que delimita o espaço de manifestação daquela entidade. É a criação de um espaço sagrado em meio ao espaço profano.

Foto de Danilo Menezes.

2- Guias
Guias são colares usados pelos adeptos dos cultos de matriz africana. Amuletos poderosos, capazes de canalizar energias sobrenaturais, protegendo os médiuns. As diferentes cores e tamanhos referem não só a um orixá ou entidade, mas também a relação mantida pelo adepto. De certa forma, a guia é como uma aliança, não rígida e estrita, exigente de fidelidade, mas íntima e fluida, símbolo de uma conexão espiritual. As guias podem mudar de forma e tamanho segundo a intuição do iniciado.
Tanto a guia como o garfo de ferro são símbolos de ligação entre o homem e o mundo físico com o sobrenatural.

Iconologia do ebó - parte 1

Série de postagens explorando a iconografia dos ebós apresentados na instalação "Reconstruindo Exu".

Foto de Danilo Menezes.

1 - Velas e fogo
Na tradição do candomblé cada orixá está intimamente conectado a elementos da natureza. Um dos elementos associados a Exu é o fogo. No sincretismo da umbanda e na visão cristianizada de Exu com a simbologia infernal essa associação ganha contornos mais destacados. As velas carregam as cores de exu na umbanda: preto e vermelho. Vale dizer que existem velas com inúmeros formatos, convenientes ao tipo de trabalho que se está realizando. São muitas as velas específicas para os trabalhos de esquerda, com o formato de exus ou partes do corpo humano ou propriedades materiais, como casas e carros.

Foto de Leopoldo Tauffenbach.

2- Santo Antônio
Na umbanda, o orixá Exu é sincretizado com Santo Antônio. Aqui uma pequena imagem aparece sobre uma caixa de pó cruzado - pó especial para a realização de trabalhos mágicos - onde se lê "EXU". A imagem está no meio de outras duas caixas com os dizeres "ABRE CAMINHOS" e "DESPACHO".

Foto de Leopoldo Tauffenbach.

3- Guardiões
Nas palavras de Reginaldo Prandi, Exu "é também o guardião da porta da rua e o dono das encruzilhadas". Isso explica a presença de imagens de exus nas entradas dos terreiros e das lojas de artigos religiosos. As duas velas em forma de exus fazem referência a esta função atribuída à entidade.