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quarta-feira, 3 de julho de 2013

Exu e os mercados - parte 2

Mercado Público de Porto Alegre:

O Mercado Público faz parte dos “caminhos invisíveis dos negros em Porto Alegre”, e sua importância deve-se a preservação e culto ao Orixá Bará Agelu Olodiá assentado no centro do prédio. O Bará é, dentro do panteão africano, a entidade que abre os bons caminhos, o guardião das casas e da cidade, e representa o trabalho e a fartura. Os religiosos de matriz africana e frequentadores acreditam na força do axé do orixá, que garantiu a sobrevivência e a prosperidade do mercado ao longo de seus 244 anos, dando fartura aos transeuntes que passam no local e fazem seus pedidos. Os africanistas e simpatizantes, ao fazerem seus pedidos de abertura dos caminhos na terra para a fartura de comida na mesa e de prosperidade na vida ao Bará, jogam sete moedas, como certos da sua proteção. 
Trecho do texto Bará do mercado, de Mãe Norinha de Oxalá. Disponível em:
<http://museudepercursodonegroemportoalegre.blogspot.com.br/p/textos.html>.


[...] documentário "A Tradição do Bará do Mercado - Os Caminhos Invisíveis do Negro em Porto Alegre", dirigido por Ana Luiza Carvalho da Rocha [...] traz relatos de babalorixás, ialorixás, tamboreiros e outros praticantes de religiões afro-brasileiras na Capital do Rio Grande do Sul. Buscando tornar mais conhecida uma antiga tradição, que se manifesta por meio de rituais e práticas realizadas pelos religiosos de matriz africana no interior e arredores do Mercado Público de Porto Alegre, o documentário permite ao espectador um passeio no tempo e pelas transformações de Porto Alegre sob o ponto de vista do negro. Conforme a tradição, no meio da encruzilhada que funda o Mercado está "sentado" o orixá Bará - entidade responsável pela abertura dos caminhos e pela fartura.
O vídeo integra projeto patrocinado pela Petrobrás, por meio da Lei Federal de Incentivo a Cultura. Tem produção de Anelise Gutterres, fotografia de Rafael Devos, captação sonora de Viviane Vedana e edição de Alfredo Barros. O projeto foi realizado pela Secretaria Municipal da Cultura de Porto Alegre em parceria com a Congregação em Defesa das Religiões Afro do Estado do Rio Grande do Sul (Cedrab). 
Texto de Anahy Metz publicado no Portal do Estado do rio Grande do Sul. Disponível em: <http://www.rs.gov.br/master.php?capa=1&int=noticia&notid=105272&pag=218&editoria=&midia=&menu=orig=1>.

domingo, 30 de junho de 2013

Exu- a boca que tudo come

O orixá Exu, considerado aquele que carrega as mensagens entre deuses e homens, é tema do documentário dirigido por Liana Cunha e Samanta Pamponet, que busca traços de sua presença na Feira de São Joaquim, em Salvador, Bahia.

domingo, 9 de junho de 2013

Indícios de Exu


"Atá de Exú II" - Fotografia de Marcos Palhano
da série "Oferendas: Indícios do Sagrado", 2012.

As oferendas são dádivas, presentes, ofertas que são feitas com o objetivo de agradar aos orixás. Ao mesmo tempo são indícios, fragmentos de um encontro sagrado entre o homem e aquilo que o transcende. Na umbanda e candomblé, as oferendas tem um papel primordial, pois através delas alcança-se o favor dos orixás. A visão religiosa africana concebe a dinâmica do dar e receber como meio de troca de axé. Através dessa troca (a oferenda), a harmonia é estabelecida, o equilíbrio entre céu e a terra - chamados de orum e aiye - é alcançado. As oferendas sacralizam o espaço ao seu redor e estendem uma ponte até a transcendência, possibilitando a conexão do homem com o divino. Para as religiões de origem africana, fé e natureza estão imbricadas. Isso nos põe frente à dificuldade do homem urbano, desprovido de ambientes adequados, em atuar sua crença. As praças, parques locais e pequenas áreas verdes, tornam-se então cenários sacralizados. Este ensaio fotográfico descortina também a face estética das oferendas. A presença de alguidares, flores, velas e outros itens, em meio aos elementos urbanos compõe um quadro de fruição estética, uma instalação-acontecimento na paisagem da metrópole.

Trechos retirados do texto Oferendas: indícios do sagrado, de Marcos Palhano, publicado no Caderno de Resumos do I Encontro Internacional de Estudos da Imagem (Londrina: UEL, 2012).

A série do fotógrafo Marcos Palhano chama a atenção por tratar das dinâmicas que envolvem os ritos de oferta no ambiente urbano, incluindo aí as ações posteriores à entrega. São oferendas que agora evidenciam as consequências do tempo, intervenções animais e humanas. Atos sagrados posteriormente maculados por eventos profanos. Outros trabalhos do artista podem ser vistos em sua página na internet: http://olhodobturador.carbonmade.com/

"Ebó III" - Fotografia de Marcos Palhano
da série "Oferendas: Indícios do Sagrado", 2012.

"Ajeun Exu Babá" - Fotografia de Marcos Palhano
da série "Oferendas: Indícios do Sagrado", 2012.
 
"Atá de Exu" - Fotografia de Marcos Palhano
da série "Oferendas: Indícios do Sagrado", 2012.
"Ajeunman a Pombo-Gira" - Fotografia de Marcos Palhanoda série "Oferendas: Indícios do Sagrado", 2012.
"Cigana Padilha" - Fotografia de Marcos Palhanoda série "Oferendas: Indícios do Sagrado", 2012.

"Ebó II" - Fotografia de Marcos Palhano
da série "Oferendas: Indícios do Sagrado", 2012.

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Exu e macumba

"Senhor dos Caminhos" - Fotografia de Frido Claudino da série "Laroiê Exu".
A série completa pode ser vista no site do artista:
<http://fridoclaudino.com/fotografia/portfolio/documentario/laroie-exu/>



Macumba é uma espécie de árvore africana e também um instrumento musical utilizado em cerimônias de religiões afro-brasileiras, como o candomblé e a umbanda. O termo, porém, acabou se tornando uma forma pejorativa de se referir a essas religiões - e, sobretudo, aos despachos feitos por alguns seguidores. Na árvore genealógica das religiões africanas, macumba é uma forma variante do candomblé que existe só no Rio de Janeiro. O preconceito foi gerado porque, na primeira metade do século 20, igrejas neopentecostais e alguns outros grupos cristãos consideravam profana a prática dessas religiões. Com o tempo, quaisquer manifestações dessas religiões passaram a ser tratadas como "macumba".

Os despachos nos cruzamentos ganharam fama de "macumba" porque são uma das expressões mais visíveis dessas religiões fora dos templos. Mas, na verdade, eles são oferendas para o orixá Exu, geralmente pedindo proteção. São colocados em encruzilhadas porque esses lugares representam a passagem entre dois mundos. Existem, sim, despachos feitos para fazer mal aos outros [...], mas nenhuma das religiões incentiva essa prática.

O instrumento macumba, que deu nome ao culto, hoje pouco utilizado, é parecido com um reco-reco.

Trechos retirados da matéria O que é macumba? assinada por Victor Bianchin e Marina Motomura, publicada no site Mundo Estranho, da Editora Abril.
Disponível em <http://mundoestranho.abril.com.br/materia/o-que-e-macumba>.

segunda-feira, 3 de junho de 2013

A Boca do Mundo - Exu no Candomblé

Exu sou eu, com 78 anos. - Mãe Beata de Iemanjá

A Boca do Mundo é um curta-documentário dirigido pela pesquisadora da Ufscar e cineasta Eliane Coster. A obra apresenta as muitas manifestações do orixá Exu no "cotidiano das ruas, nos mercados de trocas, nas manifestações religiosas, em bares à noite, nas encruzilhadas das estradas, em objetos, sons, cores, comidas, bebidas, festas, pessoas e todos os locais e atos nos quais seja possível encontrar uma representação/manifestação do orixá." (texto retirado do blog oficial do projeto).
O documentário foi indicação da
fotógrafa e professora Fernanda Mazete, leitora do blog.



Para saber mais, visite o blog do documentário: abocadomundodoc.wordpress.com/

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Exu no Brasil

Dança das Cabaças - Exu no Brasil é uma investigação poética sobre a divindade africana Exu no imaginário brasileiro. Trazido pelos escravos com outros Deuses do panteão Yoruba, Exu foi colocado à margem e passou por um processo de demonização que se inicia na missão católica na África e se estende no período colonial brasileiro, onde seus atributos originais foram ocultados.
Exu que na África era caracterizado como o princípio da vida, a força que move os corpos, a dinâmica, o senhor dos caminhos e das encruzilhadas, a principal ponte entre os mortais e as divindades que habitam o além, passa a ser visto como a personificação do mal perante o modelo cristão, devido ao seu seu símbolo fálico e seu comportamento astucioso.
Dirigido por Kiko Dinucci, o filme passa pelas diversas vertentes das religiões afro-descendentes, dos candomblés (de tradição Nagô, Gege, Bantu), Tambor de Mina, passando pela Umbanda e Quimbanda. Dança das Cabaças - Exu no Brasil conta com participações de sacerdotes e estudiosos.

Texto de apresentação do documentário Dança das Cabaças - Exu no Brasil, dirigido por Kiko Dinucci. Disponível em <http://vimeo.com/1436330>



Página oficial do documentário: http://dancadascabacas.blogspot.com.br/

Página oficial do diretor: http://kikodinucci.com.br/