terça-feira, 8 de julho de 2014

Exu, graffiti e pichações

O graffiti é, desde as suas origens, o resultado de uma acção de subversão. Enquanto cultura, representa um conjunto de normas de acção, de valores, representações e ideologias fundados tendo por referência uma acção que é ilegal e, consequentemente, alvo de perseguição. As identidades colectivas e individuais forjadas neste território “à margem” (tempo e espaço sociais identificados como opostos à norma social dominante) incorporam a ruptura, dramatizam o estigma, capitalizam o desvio na elaboração de narrativas individuais e desígnios colectivos.
[...]
O graffiti vive da visualidade, resulta de uma acção individual e colectiva que usa os suportes visuais e uma determinada linguagem para comunicar e construir sentido, para estabelecer lugares sociais e hierarquias simbólicas.
Aqueles que se dedicam ao graffiti trabalham na obscuridade, numa labuta persistente que serve de legitimação à pertença a este universo. A existência (ou seja, o reconhecimento da existência do indivíduo pelos seus pares) alcança­‑se pela acção, pela prática primordial que origina todo um modelo cultural significativo para os agentes.
Neste contexto, o território e a visualidade assumem­‑se como dimensões a explorar de forma estratégica na construção das identidades e do estatuto dos actores. Usar a cidade, conhecer e utilizar o espaço edificado resulta num processo de apropriação e dominação territorial que se encontra no cerne de muitas culturas juvenis urbanas (Magnani 2002, 2005; Pais 2005). No graffiti é fundamental sinalizar a cidade, demarcá­‑la com siglas que possam ser vislumbradas. 

Trechos do artigo Entre as luzes e as sombras da cidade: visibilidade e invisibilidade no graffiti, de Ricardo Campos.  Disponível em <http://www.scielo.gpeari.mctes.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0873-65612009000100009&lng=pt&nrm=iso>.

Imagem encontrada na rede social Facebook.
Local, autoria e data desconhecidas.

Pichação em dependências da Universidade Estadual do Ceará.
Fonte: https://www.facebook.com/photo.php?fbid=658387067576435&set=a.496214830460327.1073741826.291893304225815&type=1&theater

Pichação sobre placa em Sorocaba.
Fonte: http://noticias.gospelmais.com.br/totem-consagra-cidade-jesus-pichado-exu-59583.html

Pichação em muro da cidade de Recife, 2014.
Foto de André Dib.

Graffiti sob o Minhocão, São Paulo, 2011.
Fonte: http://www.minhocao.com/2011/10/grafite-no-minhocao-ze-pilintra.html

Pichação em escultura "Exu dos Ventos", de Mário Cravo Neto, Rio de Janeiro.
Fonte: http://www.orkut.com/Main#CommMsgs?cmm=92503&tid=5611617635448852670
Imagem encontrada na rede social Facebook.
Local, autoria e data desconhecidas.
Imagem encontrada na rede social Instagram.
Local, autoria e data desconhecidas.
Pichação no bairro do Bixiga, São Paulo, 2017.
Foto de Alexandre Silva.

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Pichação em escultura "Exu dos Ventos", de Mário Cravo Neto. Rio de Janeiro.
Fonte: http://www.orkut.com/Main#CommMsgs?cmm=92503&tid=5611617635448852670
Pichação em bar não identificado em São Paulo, 2015.
Foto de Luciana dos Anjos.
Graffiti sob o Viaduto Antártica, São Paulo, 2013.
Foto de Leopoldo Tauffenbach.

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