quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Exu e a malandragem

"Exu" - obra de Kboco, circa 2002.
Para nossa cultura, a instauração da incerteza causa a insegurança que é associada à fragilidade. Na realidade, a ordem, a certeza, parece que nos trazem a segurança, a estabilidade. Sendo assim, quando nos deparamos com um símbolo como Exu, que carrega consigo a ambiguidade, a constante presença de ruídos, a desestabilidade e a presença de uma fraqueza da consciência, que o remete ao horizonte da loucura, percebemos o quanto ele desconcerta o pensamento que está relacionado à ordem e a uma verdade única.
[...]
Podemos então, em uma analogia, pensar que o compadre e as pombagiras também fazem parte do caráter do povo brasileiro. Detentores da ginga, do malemolejo ao falar, do jogo de cintura, essas entidades encantam os que as procuram por transitarem entre a ordem estabelecida e as condutas transgressivas.
E se a transgressão passou a ser um elemento constituinte da identidade de alguns grupos sociais no Brasil, quando os compadres e pombagiras despontam, há uma identificação de parte do povo com essa marginália sobrevivente e admirada por ser vitoriosa na luta pela vida.

Trechos retirados do artigo Quem não tem governo nem nunca terá: Exu e o jeitinho brasileiro, de Ivete Miranda Previtalli. Revista Verve, n.16. São Paulo: PUCSP, 2009.

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Quadrinhos de Exu

Capa da história em quadrinhos "Zeladores", de Nathan Cornes e Anderson Almeida,
que traz o exu Zé Pilintra como personagem principal.

Zeladores é uma história em quadrinhos de ficção que propõe uma nova roupagem para as lendas e personalidades folclóricas brasileiras. Trazendo os mitos para o nosso tempo e os colocando no contexto urbano de São Paolo – cidade fictícia baseada na capital paulista – Zeladores brinca com o reconhecimento de lugares e eventos reais em meio a acontecimentos bombásticos. Não se trata de heróis uniformizados com roupas colantes e coloridas; no caso de Zeladores, o protagonista é um dos personagens mais carismáticos do folclore brasileiro: Zé Pilintra. Malandro, afrodescendente, habitante da noite e da boemia, é o mais humano dos seres do imaginário popular brasileiro. Acompanhado pelo melhor amigo – Opala 78, detetive paranormal – Zé Pilintra protege São Paolo de ameaças mágicas, agindo como um xerife do além. Neste número de Zeladores, ele enfrenta uma banda funk, reencontra o homem que o matou e visita a Caroxinha, o Barbarruiva e a Mulher de Branco, antes de ser invocado por uma bruxa e o Lobisomem verde dela. Isso tudo no primeiro terço da história.

Texto publicado no site HQ Maniacs em 15/09/2010. Disponível em: <http://hqmaniacs.uol.com.br/principal.asp?acao=noticias&cod_noticia=27240>.

A ideia de trabalhar com Pilintra nasceu quando eu estava trabalhando em uma empresa de produção cinematográfica. Meu trabalho era desenvolver conceitos para algumas séries de animação e, naquela época, estava procurando uma maneira de criar um grupo de super-heróis que tiveram uma forte base no folclore popular. Na fase de pesquisa desses personagens, eu e a equipe de desenvolvimento da produtora nos deparamos com um sem número de lendas e causos onde o sobrenatural atuava como um inimigo onipresente, impondo limites à curiosidade e ambição infinita do homem comum. Dada a natureza desses causos, de esmagadora maioria um tanto escuras e punitivas, alguns personagens se destacaram por seu contraste brutal. Pilintra era um desses. Eu tinha ido a alguns centros de Umbanda na vida, conhecia o Catimbó de vista, porque minha avó trouxe com ela o que aprendeu na juventude do nordeste, mas foi só quando estava engajado na pesquisa que pude conhecer um pouco mais do personagem e me apaixonei completamente pelas suas histórias, pelo seu universo. Do ponto de vista da criação de personagens, um verdadeiro achado. Era humano e, ao mesmo tempo, compartilhava algumas características divinas, transitando entre o mundo dos mortos e dos vivos, supostamente imortal e onipresente, capaz de ajudar quem precisasse em vários terreiros do país ou do planeta simultaneamente, bastando para isso riscar o seu ponto. Ele era um super-herói. Em 2009, a Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo abriu as inscrições para o PROAC HQ, que contemplava projetos de desenvolvimento de histórias em quadrinhos. Pensei que essa seria uma grande oportunidade para o projeto. Foi num papo com o Nathan, tentando explicar como estava difícil encontrar um caminho para a história que acabei pedindo sua ajuda e ele concordou em escrever o roteiro da HQ. Nathan Cornes é um dos maiores escritores que já tive o prazer de conhecer. Ele trabalhou com séries de animação, é muito rápido e o fato de termos trabalhado juntos em outros projetos e do cara ser um dos meus melhores amigos fez com que o trabalho começasse a decolar. Por decolar, diga-se um completo redesenho do projeto excluindo toda a parte religiosa e criando um universo contemporâneo, mais dinâmico e cartunesco para abrigar os personagens, todos releituras de lendas brasileiras. A partir desse momento, onde o Nathan escrevia como quem psicografa e eu desenhava como uma impressora a laser, posso dizer que dava pra sentir o Pilintra com a gente, entre uma chachaça e outra, sensação que se repetiu com cada vez mais frequência até a conclusão do projeto e seu lançamento, em 2010. A HQ ficou muito bacana e é um trabalho que me sinto horado de ter desenvolvido junto com o Nathan.


Depoimento de Anderson Almeida especialmente para o projeto Reconstruindo Exu.

Zeladores é um projeto de autoria de Nathan Cornes e Anderson Almeida. Abaixo estão algumas páginas da história, cuja versão completa pode ser lida no site oficial do projeto Zeladores: <http://www.zeladores.net/>.




Santinho de Zé Pilintra produzido por ocasião do lançamento da HQ "Zeladores".

sábado, 3 de agosto de 2013

Ogó de Exu


"Exu" - fotografia de Bauer Sá
Ogó é o nome dado ao instrumento de Exu, um bastão de formato fálico feito de madeira e cabaças que imitam a anatomia do pênis e guarda imensos poderes. O ogó simboliza o poder de criação capaz de perpetuar a vida. O trecho de texto abaixo foi retirado do blog Candomblé - o mundo dos orixás, e trata de um duelo entre Ossaim e Exu, que usa os poderes de seu ogó na peleja.

[...]
E então marcam um duelo.
Assim Osányìn foi consultar seus adivinhos temendo a morte. Os adivinhos dizem para Osányìn fazer ebo e não enfrentar Èsù, pois ele é um homem muito forte. Osányìn retruca dizendo:
- Imagine se por causa de Èsù, eu farei ebo, pois Èsù só possui sabedoria e não força! Eu sou poderoso, pois sou o grande mago e poderoso feiticeiro!
E lá se foi Osányìn ter o encontro com Èsù, na oritá (encruzilhada de três pontas). Chegando lá, Èsù diz:
- Você, Osányìn, não sabe que uma pessoa que tentaram matar na vida e não conseguiram, sou eu e somente eu mato e mando para o mundo dos mortos?
Dai então começaram a trocar provocações, cada um dizendo que era mais forte do que outro. Então Èsù diz:
- Se você Osányìn, realmente é forte, teste seu àse.
Mas foi Èsù quem primeiro testou seu àse, dizendo:
- Se eu empurrar essa árvore, ela cairá sobre você!
Èsù empurra a árvore, Osányìn consegue sair fora para não ser atingido. Èsù diz:
- Se eu encostar meu Ogó em você, você será queimado!
Èsù encostou e Osányìn não queimou, só saiu fumaça. Osányìn diz:
- Èsù, o que você viu são minhas proteções, razão pela qual você não consegue me fazer mal.
Èsù fica mais irritado e diz:
- Osányìn, com essa minha bengala (Ogó - bastão de Èsù), se eu bater no chão, vai brotar água e lhe cercar.
E assim Èsù fez e a água começou a cercar Osányìn. Mesmo vendo que a força de Èsú era maior que a sua Osányìn entra em luta corporal com Èsù. Depois de algum tempo, Osányìn percebe que não iria vencer Èsù e então implora a Èsù que pare a luta e que o desculpe. Èsù diz que não lhe desculpa, pois Osányìn havia lhe desrespeitado. Èsù então lança mão de seu Ogó e golpeia a perna de Osányìn, que fica quebrada. Então Èsù diz:
- Se eu lhe matar agora, você nunca saberá o valor de minha força, porém eu lhe castigarei.
Pega o Ogó novamente e golpeia a cabeça de Osányìn, o qual perde a fala depois da pancada. Osányìn se levanta, sai correndo e vai ter com seus adivinhos, para ver se encontrava alívio para o seu sofrimento. Ele queria ser curado. Eles lhe dizem:
- Você foi brigar com Èsù Òdàrà, que é mais forte do que você, você não sabia que ele é o líder dos òrìsà? Não há nenhuma divindade que desafie Èsù. Em razão desse desafio à Èsù, nada podemos fazer.
[...]

Texto completo disponível em: <http://ocandomble.wordpress.com/2013/05/27/o-poder-da-palavra/>.

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Exu por Chico Tabibuia


O artista Chico Tabibuia ao lado de sua escultura "Exu".
<http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa21764/chico-tabibuia>


 Ora, ao retratar o sobrenatural Exu, sob as suas mais diversas formas, inclusive sob a dualidade masculino/feminino, Tabibuia estaria assumindo um papel de pessoa já externa à religião da umbanda. Com a possível contradição - tão comum na arte e na vida - de não ter abandonado em profundidade as crenças relativas a ela, já que atribui às esculturas um papel quase votivo e sem dúvida exorcizador dos dissabores causados por Exu, que ele agora identifica Lúcifer. Legitimado pela religião evangélica para a retratação do orixá, não mais transgressor porque livre da interdição do mistério, por outro lado Tabibuia declara que, ao representar os exus, faz com que fiquem aprisionados na escultura, "para não fazerem mais mal ao povo", ficando cada vez mais "fugidos das matas", onde poderiam atuar em liberdade.
Ficam patentes nessas suas palavras, e na sua obra realizada, as grandes energias que envolvem a um tempo concentração, prazer e sofrimento, mobilizadas pelo escultor em seu trabalho, ao transformar uma força natural em forma viva, porque criativa.



Trecho do prefácio de Lélia Coelho Frota para o livro A escultura mágico-erótica de Chico Tabibuia, de Paulo Pardal. 

"Exu" - 1980

"Exu hermafrodita" - 1996

"Família de Exus" - 1996
  
"Exu bissexual" - 2004
"Exu" - 2004

domingo, 21 de julho de 2013

Reconstruindo Exu na Casa das Caldeiras


Dos dias 14 a 23 de julho a exposição Tempo Forte, na Casa das Caldeiras, em São Paulo, apresentou os trabalhos dos artistas atualmente em residência. Nesta ocasião foi apresentada a instalação "Reconstruindo Exu", uma obra poética que sintetiza alguns dos resultados obtidos durante a pesquisa registrada neste blog.
Abaixo estão algumas fotos da instalação. Mais imagens podem ser vistas no álbum "Reconstruindo Exu", no Flickr: <http://www.flickr.com/photos/tauffenbach/sets/72157634745199568/>.

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Exu e o sexo


"Exu Oba Wura". Escultura do artista Master Saint.
<http://mastersaint.com>
Exu por ser resultado da interação de um par, é o portador mítico do sêmen e do útero ancestral e como princípio de vida individualizada ele sintetiza os dois, É por isso que frequentemente, e, é representado pela forma de um par, uma figura masculina e uma feminina, unidos por fileiras de búzios. Exu está profundamente ligado à atividade sexual. Representados por um falo (pênis), ou suas representações simbólicas como: os penteados de forma fálica, sua arma, o ogó - bastão em forma de pênis -, sua lança; já as cabacinhas representam seus testículos.
Exu também está representado com objetos à sua boca; dedo, cachimbo e principalmente flauta, que vem representar a atividade sexual, como absorção e expulsão, ingestão e restituição, com a flauta Exú chama seus descendentes. Portanto símbolo por excelência da fecundidade. Exú jamais toma a forma de procriador. Exu é cultuado tanto como lésè-égún, como lésè-orixá, e apenas por seu intermédio é possível cultuar os orixás e as Iyá-mi (mãe ancestral). Não é apenas Òjisé-ebo, mas principalmente Òjisé, o mensageiro, fazendo a comunicação entre tudo que é oposto.

Trecho de texto retirado do blog Tanos. Disponível em: <http://tanos.blogspot.com.br/2004/07/orixas-histrias-e-dados.html>.

Exu e a infância

À esquerda, imagem de capa da revista de histórias em quadrinhos do personagem
Brasinha (Hot Stuff, no original em inglês), que carrega o mesmo nome de um
muito conhecido exu mirim. À direita, imagem de exu mirim. Disponível em
<http://evandrodeogum.blogspot.com.br/2012/10/exu-mirim-e-mojuba.html>.
Os [exus] mirins refletem a delinquência infanto-juvenil das crianças de rua, sem disfarces ou recondicionamentos. Propõem-se como antípodas da beleza, inocência e pureza infantil (típica das crianças da "direita"). Geralmente são descritos como muito feios. A feiúra metaforiza esteticamente o lado "errado" da vida pelo qual trafegam (ou trafegaram).
Segundo uma mãe de santo, "uma característica deles é perigo à vista, como as crianças de rua. Carentes, têm a sensibilidade deles, mas oferecem perigo. Eles estão com medo, mas fazem com que você tenha mais medo do que eles, para intimidar, exatamente como um moleque de rua".
A sua periculosidade é apresentada como talento (como de fato o é e assim a compreendem, espelhando os recursos que permitem às crianças de rua sobreviver). Fiel ao seu "ethos", a Umbanda vai elaborar estas crianças que se defendem assustando, intimidando, e podem de fato ferir, socializando as suas "defesas". Transformando a sua competência ofensiva em qualidade defensiva. Descobre virtudes nos seus defeitos, inclui-os, sem pré-condicionar que isso se faça ao preço da anulação do modo de ser que se lhes tornou constitutivo (o que seria mais uma forma de violência, típica de outros cenários do menu religioso brasileiro, determinados por vocações doutrinadoras ou conversoras, umas e outras tentativas de supressão do diferente e da especificidade).
Moleques em fase de auto-afirmação, são fortes e gostam de mostrar serviço. Geralmente exibidos e fanfarrões, são imprevisíveis, temerários, ágeis, mutantes e desafiadores da autoridade. Empenham-se ao máximo para provar que são capazes e obter aprovação, o que aumenta a sua presumida periculosidade.
Por serem crianças, supõem-se pouco acessíveis a argumentos racionais e, pequenos, capazes de entrar em brechas mínimas em que ninguém pode alcançá-los (frestas que, concomitantemente, se compreendem como lugares metafísicos e como mínimas rugosidades do caráter alheio e/ou feridas psíquicas mal cicatrizadas...).

Trecho do artigo Sublimidade do mal e sublimação da crueldade: criança, sagrado e rua, de José Francisco Miguel Henriques Bairrão. Disponível em
<http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-79722004000100009&lng=en&nrm=iso>.

terça-feira, 9 de julho de 2013

Exu na Casa das Caldeiras

No próximo domingo, 14 de julho, o Ministério da Cultura e a Casa das Caldeiras apresentam a primeira exposição do Programa de Residência Artística "Obras em Construção", com obras resultantes desta primeira fase do processo de residência.

O projeto "A Reconstrução de Exu", de Alexandre Furtado e Leopoldo Tauffenbach irá apresentar uma instalação que sintetiza os resultados da investigação desenvolvida nestes primeiros meses.

Além da instalação do projeto, o público poderá conferir as obras e performances dos artistas Ricardo de Castro, Élcio Miazaki, Flávia Mielkin, Ivan Chiarelli, Bruno Gold, Coletivo Pi e Núcleo Aqui Mesmo.

A abertura acontece no domingo, dia 14, das 16h às 20h. A visitação acontece nos dias 15, 16, 21, 22 e 23. Durante a semana a Casa das Caldeiras está aberta das 9h às 17h. Dia 21h novamente das 16h às 20h.

Estão todos convidados. A entrada é franca e aberta.

A Casa das Caldeiras fica na Avenida Francisco Matarazzo, 2000, em frente ao Palmeiras e entre os shoppings Bourbon e West Plaza, próximo à estação Barra Funda.


quinta-feira, 4 de julho de 2013

Exu na Casa de Velas Santa Rita - parte 2

A iconografia brasileira dos exus não deixa dúvida sobre o que se pensa deles nas casas em que se observa o culto de quimbanda. Na verdade, não é preciso ir a um templo em que se realiza culto a essas entidades para ver as estátuas de gesso dos exus e pombagiras de quimbanda em tamanho natural, monumentos figurativos de gosto duvidoso, figuras masculina e feminina concebidas com as roupas, adereços e posturas que se imaginam próprias dos soberanos do inferno e dos humanos decaídos. Para apreciar a iconografia dos exus, basta andar pela rua e passar em frente a uma loja de artigos religiosos de umbanda e candomblé, que têm certa predileção de exibir essas estátuas à venda na entrada dos estabelecimentos, bem à vista. Há uma grande variedade dessas imagens, umas grandes, outras de tamanhos menores, um modelo para cada exu, um para cada pombagira, estas com freqüência idealizadas com roupas sumárias, se não escandalosas, lembrando mulheres de vida fácil no imaginário popular. Nos terreiros, elas se encontram no barracão ou mais preferencialmente nos quartos do culto reservado aos iniciados, os quartos-de-santo, ou, conforme a designação umbandista, na tronqueira, o quarto dos exus.

Trecho do artigo Exu, de mensageiro a diabo. Sincretismo católico e demonização do orixá Exu, de Reginaldo Prandi. Revista USP nº50. São Paulo: USP, 2001. Disponível em <http://www.revistas.usp.br/revusp/article/view/35275/37995>.

Imagem de Exu Zé Pelintra.
Imagem de Exu Rei.
Imagens de ferro de exus e pombagiras.
Detalhe de imagem de ferro de exu.
Cartolas de exus.
Imagem de Exu Cobra.
Ferramentas de ferro para o trabalho com exus e pombagiras.
Imagem de Exu Asa Negra.

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Exu e os mercados - parte 2

Mercado Público de Porto Alegre:

O Mercado Público faz parte dos “caminhos invisíveis dos negros em Porto Alegre”, e sua importância deve-se a preservação e culto ao Orixá Bará Agelu Olodiá assentado no centro do prédio. O Bará é, dentro do panteão africano, a entidade que abre os bons caminhos, o guardião das casas e da cidade, e representa o trabalho e a fartura. Os religiosos de matriz africana e frequentadores acreditam na força do axé do orixá, que garantiu a sobrevivência e a prosperidade do mercado ao longo de seus 244 anos, dando fartura aos transeuntes que passam no local e fazem seus pedidos. Os africanistas e simpatizantes, ao fazerem seus pedidos de abertura dos caminhos na terra para a fartura de comida na mesa e de prosperidade na vida ao Bará, jogam sete moedas, como certos da sua proteção. 
Trecho do texto Bará do mercado, de Mãe Norinha de Oxalá. Disponível em:
<http://museudepercursodonegroemportoalegre.blogspot.com.br/p/textos.html>.


[...] documentário "A Tradição do Bará do Mercado - Os Caminhos Invisíveis do Negro em Porto Alegre", dirigido por Ana Luiza Carvalho da Rocha [...] traz relatos de babalorixás, ialorixás, tamboreiros e outros praticantes de religiões afro-brasileiras na Capital do Rio Grande do Sul. Buscando tornar mais conhecida uma antiga tradição, que se manifesta por meio de rituais e práticas realizadas pelos religiosos de matriz africana no interior e arredores do Mercado Público de Porto Alegre, o documentário permite ao espectador um passeio no tempo e pelas transformações de Porto Alegre sob o ponto de vista do negro. Conforme a tradição, no meio da encruzilhada que funda o Mercado está "sentado" o orixá Bará - entidade responsável pela abertura dos caminhos e pela fartura.
O vídeo integra projeto patrocinado pela Petrobrás, por meio da Lei Federal de Incentivo a Cultura. Tem produção de Anelise Gutterres, fotografia de Rafael Devos, captação sonora de Viviane Vedana e edição de Alfredo Barros. O projeto foi realizado pela Secretaria Municipal da Cultura de Porto Alegre em parceria com a Congregação em Defesa das Religiões Afro do Estado do Rio Grande do Sul (Cedrab). 
Texto de Anahy Metz publicado no Portal do Estado do rio Grande do Sul. Disponível em: <http://www.rs.gov.br/master.php?capa=1&int=noticia&notid=105272&pag=218&editoria=&midia=&menu=orig=1>.

terça-feira, 2 de julho de 2013

Exu e os mercados - parte 1

Os lugares preferidos de Exu são as encruzilhadas e os mercados – como a Feira de São Joaquim, em Salvador, ou o Mercado de Madureira, no Rio de Janeiro, que lembram em muitos aspectos os mercados nigerianos.

Trecho do livro Candomblé: a panela do segredo, de Pai Cido de Òsun Eyin. Editora Arx, 2008.

Conta a tradição oral que o mercado municipal de Porto Alegre também possui o seu Exú protetor e sustentáculo, assentado e enterrado no solo do local. Não se sabe ao certo a sua localização, mas conta-se que não pode ser desenterrado, pois isso faria ruir a edificação. A relação existente entre Exú e as feiras e mercados públicos é essencialmente comunicacional. “Mas quem o esquece, ou não lhe faz as devidas oferendas, incorre na sua ira e ele, por ser extremamente vingativo, provocará brigas e disputas – pois é o senhor de quem está na feira – ou, então, fará as intercomunicações cessarem” [...]. Sem Exú, sem comunicação, não há venda. Sob os auspícios de Exú, o mercado configura-se como locus da comunicabilidade, da troca entre os comuns, da partilha de sensibilidades.

Trecho do artigo Consumindo o candomblé: estudo sobre a comunicação dos objetos dessacralizados e trocas sígnicas na pós-modernidade, de Cristiano Henrique Ribeiro dos Santos. Disponível em <http://www.compos.org.br/seer/index.php/e-compos/article/viewFile/87/87>.

Mercadão de Madureira:

Selmy Yassuda
<http://vejario.abril.com.br/especial/achados-dicas-melhores-lojas-mercadao-de-madureira-744230.shtml>
<http://cronicasdumasviagens.wordpress.com/2010/05/12/mercadao-de-madureira-como-ponto-turistico/>
<http://www.flickr.com/photos/denilsoncosta/sets/72157624085146157/>

Feira de São Joaquim, por Luciana Zacarias:

<http://www.flickr.com/photos/lucianazaca/sets/72157602201039008/detail/>
<http://www.flickr.com/photos/lucianazaca/sets/72157602201039008/detail/>
<http://www.flickr.com/photos/lucianazaca/sets/72157602201039008/detail/>
<http://www.flickr.com/photos/lucianazaca/sets/72157602201039008/detail/>

domingo, 30 de junho de 2013

Exu- a boca que tudo come

O orixá Exu, considerado aquele que carrega as mensagens entre deuses e homens, é tema do documentário dirigido por Liana Cunha e Samanta Pamponet, que busca traços de sua presença na Feira de São Joaquim, em Salvador, Bahia.

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Os muitos nomes de Exu

Parte de catálogo de imagens de exus da fábrica Imagens Bahia
<http://www.imagensbahia.com.br/>

Na tradição do Candomblé, Exu (como todos os outros orixás) está sujeito a diversas denominações diferentes. Isso se dá por diversos fatores. A começar pelo idioma e região de culto, por exemplo, seguindo depois para suas qualidades ou manifestações e relação com outros orixás. Assim, Exu é chamado de Papa Legbá no Haiti, Exu Agbá quando se tratar de sua manifestação mais ancestral e Exu Jaresú quando estiver acompanhando o orixá Obaluaiê.

Já na Umbanda e outros ritos sincréticos afro-brasileiros, Exu acaba por adquirir a forma de espíritos de seres humanos com uma história de vida pregressa no mundo físico, com base em orientações dos princípios kardecistas. São entidades, em geral, com uma história trágica e que atuam no plano espiritual com o propósito de expiar suas possíveis faltas. "Exu" passa a designar não mais uma entidade particular, mas uma classe de espíritos. Exu Tatá Caveira, por exemplo, fora em vida um soldado romano morto por uma traição do próprio irmão. Já Zé Pelintra tinha em vida o nome de José dos Anjos - ou José Gomes da Silva, dependendo da tradição - e levou uma vida de boemia e transgressão às leis.

A partir de hoje inauguramos uma nova página, intitulada Os nomes de Exu. Nela listamos em ordem alfabética todas as nominações dadas a Exu e suas diferentes manifestações e representações, tal como levantadas a partir de fontes bibliográficas, relatos e investigação de campo. Longe de querer ser uma versão final e definitiva, a página se encontra em processo constante de construção e aceita quaisquer  colaborações.

terça-feira, 25 de junho de 2013

Exu e Jorge Amado

"Exu" - foto de Edmilson Silva da escultura de Mario Cravo
na Fundação Casa de Jorge Amado.
<http://www.flickr.com/photos/edmilsonsilva/94019382/>

Exu come tudo que a boca come, bebe cachaça, é um cavalheiro andante e um menino reinador. Gosta de balbúrdia, senhor dos caminhos, mensageiro dos deuses, correio dos orixás, um capeta. Por tudo isso sincretizaram-no com o diabo; em verdade ele é apenas o orixá em movimento, amigo de um bafafá, de uma confusão mas, no fundo, excelente pessoa. De certa maneira é o Não onde só existe o Sim; o Contra em meio do a Favor; o intrépido e o invencível. Toda festa de terreiro começa com o padê de Exu, para que ele não venha causar perturbação. Sua roupa é bela: azul, vermelha e branca e todas as segundas-feiras lhe pertencem. Há várias qualidades de Exu: Exu Tiriri, Exu Akessan, Exu Yangui, muitos outros. Exu leva o ogó, sua insígnia, e gosta de sentir o sangue dos bodes e dos galos correndo em seu peji, em sacrifício.

Texto de Jorge Amado, disponível no site da Fundação Casa de Jorge Amado.
<http://www.jorgeamado.org.br/?page_id=53>

Foi feito despacho de Exu, para que ele não viesse perturbar a boa marcha da festa. E Exu foi para muito longe, para Pernambuco ou para a África.
E Exu, como tinham feito o seu despacho, foi perturbar outras festas mais longe, nos algodoais da Virgínia ou nos candomblés do Morro da Favela.
Uma vez tinham metido Jubiabá na chave, o pai-de-santo passara a noite lá e tinham levado Exu. Foi preciso que Zé Camarão, que era finório como ele só, fosse buscar o Orixá - lá na própria sala do delegado, nas barbas do soldado. Quando o malandro chegara com Exu debaixo do casaco foi uma festa. E houve uma macumba que durou a noite toda para desagravar Exu que estava furioso e poderia perturbar as outras festas depois.

Trechos retirados do livro Jubiabá, de Jorge Amado (Companhia das Letras, 2008).

domingo, 23 de junho de 2013

Mapa de Exu

Clique na imagem para visualizá-la em tamanho maior.

Nos primeiros anos do século XVIII teve início a povoação de Exu, decorrentes dos contatos da tribo indígena Ançu, com a Fazenda da Torre, à margem do Rio São Francisco, habitada por proprietários baianos. Os indios, já amigos dos vaqueiros daquelas fazendas, levaram estes às suas tabas e ao regressar os vaqueiros informaram aos patrões que as terras onde moravam os índios, eram cheias de fontes de águas excelentes e os terrenos de muito boa qualidade para o cultivo e criar. Conhecida a região, os fazendeiros se transferiam para lá. Logo após chegaram alguns jesuítas, que ali permaneceram alguns anos e, partiram deixando apenas vestígio de suas estadas, pois construíram uma capelinha ao Senhor Bom Jesus dos Aflitos, que tornou-se o padroeiro da cidade.



A denominação Exu, conforme os habitantes da terra, existem duas versões, uma decorrentes de uma corrutela do nome da tribo Ançu da nação Cariris e a outra, que os índios puzeram o nome de Exu, devido a um tipo de abelhas de ferrão, denominadas "Inxu", que ao ferroar causava muita dor.
Conforme informações locais, a penetração do município, ocorreu no século XVIII, pelos portugueses, tendo à frente Joaquim Pereira de Alencar, avô do Barão do Exu.

Latitude: -07º 30' 43"
Longitude: -39º 43' 27"
Gentílico: exuense ou exuoara

Texto retirado da página Histórico de Exu do site do IBGE: <http://www.ibge.gov.br/cidadesat/painel/painel.php?codmun=260530#historico>.

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Exu na Umbanda

"Exu Capa Preta" - Leopoldo Tauffenbach, 2010.
http://www.flickr.com/photos/tauffenbach/sets/72157631542645557/


Há algumas diferenças na maneira de ver Exu no Candomblé e na Umbanda.
No primeiro, Exu é como os demais Orixás, uma personalização de fenómenos e energias naturais. O Candomblé considera que as divindades, ou seja os Orixás, incorporam nos médiuns (cavalos ou aparelhos). Na Umbanda, quem incorpora nos médiuns, além dos Caboclos, Pretos Velhos e Crianças, são os Falangeiros de Orixás, representantes deles, e não os próprios.
A Umbanda considera os Exus não como deuses, mas como uma entidade em evolução que busca, através da caridade, a evolução. Em síntese, o grande agente mágico do equilíbrio universal. Também é o guardião dos trabalhos de magia, onde opera com forças do astral. E também são considerados como “policiais”, “sentinelas”, “seguranças” que agem pela Lei, no submundo do “crime” organizado e principalmente policiando o Médium no seu dia-a-dia. As “equipes” de Exus sempre estão nestas zonas infernais, mas, não vivem nela.
Obedecem à severa hierarquia nos comandos do astral se classificando também como Exus cruzados, espadados e coroados.
Exus de Umbanda, de acordo com a crença religiosa, são espíritos de diversos níveis de luz que incorporam nos médiuns de Umbanda, Omolokô, Catimbó, Batuque, Santo Daime, Xambá e Candomblé de caboclo.

Trecho do texto Exu no Candomblé e na Umbanda, de Maria Manuela. Disponível em <http://ocandomble.wordpress.com/2009/09/02/exu-no-candomble-e-na-umbanda/>.


Outra reinterpretação umbandista coloca Exu na ordem evolucionista de precedência conforme o modelo kardecista; ele é reduzido a um espírito menos evoluído que todavia tem potencial para evoluir e se tornar um espírito bom. Alguns umbandistas distinguem entre Exu pagão e Exu batizado, que se submeteu à doutrinação e encontrou o caminho certo da escada da evolução. Esta distinção reflete algo do caráter original ambivalente de Exu, apesar do rito de passagem do batismo, que define a distinção que é certamente novo. Novamente este batismo do Exu pagão tem sido interpretado como uma expressão e aculturação e domesticação do mal, do perigo e da imoralidade.

Trecho do artigo Discursos sobre as religiões afro-brasileiras - Da desafricanização para a reafricanização, de Tina Gudrun Jensen, traduzido por Maria Filomena Mecabô (Revista de Estudos da Religião - REVER Nº 1, 2001). Disponível em <http://www.pucsp.br/rever/rv1_2001/t_jensen.htm>.

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Exu Santo Antônio

"Exu/Santo Antônio" - Leopoldo Tauffenbach, 2009.
<http://www.flickr.com/photos/tauffenbach/sets/72157623675802660/with/4456625266/>

O sincretismo representa a captura da religião dos orixás dentro de um modelo que pressupõe, antes de mais nada, a existência de dois pólos antagônicos que presidem todas as ações humanas: o bem e o mal; de um lado a virtude, do outro o pecado. Essa concepção, que é judaico-cristã, não existia na África. As relações entre os seres humanos e os deuses, como ocorre em outras antigas religiões politeístas, eram orientadas pelos preceitos sacrificiais e pelo tabu, e cada orixá tinha suas normas prescritivas e restritivas próprias aplicáveis aos seus devotos particulares, como ainda se observa no candomblé, não havendo um código de comportamento e valores único aplicável a toda a sociedade indistintamente, como no cristianismo, uma lei única que é a chave para o estabelecimento universal de um sistema que tudo classifica como sendo do bem ou do mal, em categorias mutuamente exclusivas.

Trechos do artigo Exu, de mensageiro a diabo. Sincretismo católico e demonização do orixá Exu, de Reginaldo Prandi. Revista USP nº50. São Paulo: USP, 2001. Disponível em <http://www.revistas.usp.br/revusp/article/view/35275/37995>.

Ainda que Exu tenha sido associado ao diabo pelos cristãos, em algumas tradições afro-brasileiras sincretiza com Santo Antônio. Reza a lenda que a associação com o santo se deu a partir da relação com o fogo, uma vez que nas festas de Santo Antônio são comuns as fogueiras e Exu é visto como guardião do fogo. Sincretizado com Exu, Santo Antônio pode ser chamado de Santo Antônio de Pemba ou Santo Antônio de Ouro Fino.

Ponto de Exu / Santo Antônio:


Santo Antonio de Batalha
Há de vir, batalhador
Santo Antonio de Batalha
Há de vir, batalhador

Corre gira, Pomba Gira
Tranca Rua e Marabô
Corre gira, Pomba Gira
Tranca Rua e Marabô

terça-feira, 11 de junho de 2013

Perfil de Exu


Imagem de Exu ajoelhado. África, século XIX. Acervo do Brooklyn Museum.
<http://www.brooklynmuseum.org/opencollection/objects/108321/Kneeling_Figure_Eshu-Elegba/image/120717/image#>

Exu é o orixá mensageiro; nada se faz sem ele e ele nada faz sem cobrar a sua parte. É também o guardião da porta da rua e o dono das encruzilhadas. É desprovido de qualquer senso de moralidade no sentido ocidental. É sincretizado com o diabo, as almas e São Gabriel, mas em Cuba é o Menino Jesus. Seus filhos usam contas de louça azul-escuro e, quando em transe, Exu é vestido nas cores azul-escuro e vermelho, trazendo na mão um ogó, bastão fálico. Todas as cerimônias começam com uma louvação prévia a Exu. A ele são sacrificados bode e galo preto. Também “come” farofa, pipoca, feijão, inhame, e “bebe” mel, dendê, aguardente e gim. Suas principais qualidades (invocações, avatares) no queto são: Iangui (o da porta), Ijelu, Agbbô, Inã (do fogo), Odara (do feitiço), Elebó, Enuquebarijó (o multiplicador), Eleru, Onã ou Lonã, Aqueçã, Barabô (primeira qualidade a ser louvada em qualquer terreiro do Brasil e em Cuba); no angola é chamado Bombogira (de onde vem Pomba Gira, Exu feminino), Tiriri, Lembá, Nilê, Cariapemba; no jeje: Elegu , Bara, Lalu. Seu dia é segunda-feira e sua saudação Laroiê!

Trecho retirado do livro Os candomblés de São Paulo, de Reginaldo Prandi. Disponível em: <http://www.fflch.usp.br/sociologia/prandi/csp-down.htm>.


Exu recebe diversos nomes, de acordo com a função que exerce ou com suas qualidades: Elegbá ou Elegbará, Bará ou Ibará, Alaketu, Agbô, Odara, Akessan, Lalu, Ijelu (aquele que rege o nascimento e o crescimento de tudo o que existe), Ibarabo, Yangi, Baraketu (guardião das porteiras), Lonan (guardião dos caminhos), Iná (reverenciado na cerimônia do padê).
A segunda-feira é o dia da semana consagrado a Exu. Suas cores são o vermelho e o preto; seu símbolo é o ogó (bastão com cabaças que representa o falo); suas contas e cores são o preto e o vermelho; as oferendas são bodes e galos, pretos de preferência, e aguardente, acompanhado de comidas feitas no azeite de dendê. Aconselha-se nunca lhe oferecer certo tipo de azeite, o Adí, por ser extraído do caroço e não da polpa do dendê e portar a violência e a cólera. Sua saudação é "Larôye!" que significa o bem falante e comunicador.
Consiste o padê em um prato de farofa amarela, acaçá, azeite-de-dendê e uma quartinha de água ou cachaça, que são “arriados” para Exu.
Na nação de angola ou candomblé de Angola Exu recebe o nome de Aluvaiá, Pambu Njila, e Legbá, no Candomblé Jeje.
Não deve ser confundido com a entidade Exu de Umbanda. Os exus de umbanda sao entidades de pessoas desencarnadas que, por motivos de evoluçao espiritual, retornaram à terra para cumprir essa missão junto ao seus seguidores. Essas entidades são confundidas com esu ou exu do Candomblé devido à proximidade que Exu tem com os homens. Entretanto, não são considerados orixás como o Exu, e sim quiumbas - conhecedores das vontades de homens e mulheres no plano terrestre, tendo vivido em épocas diferentes, porém com os mesmos problemas, desejos e sonhos.

Trecho retirado da página Exu (orixá), da Wikipedia. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Exu_%28orix%C3%A1%29>.

domingo, 9 de junho de 2013

Indícios de Exu


"Atá de Exú II" - Fotografia de Marcos Palhano
da série "Oferendas: Indícios do Sagrado", 2012.

As oferendas são dádivas, presentes, ofertas que são feitas com o objetivo de agradar aos orixás. Ao mesmo tempo são indícios, fragmentos de um encontro sagrado entre o homem e aquilo que o transcende. Na umbanda e candomblé, as oferendas tem um papel primordial, pois através delas alcança-se o favor dos orixás. A visão religiosa africana concebe a dinâmica do dar e receber como meio de troca de axé. Através dessa troca (a oferenda), a harmonia é estabelecida, o equilíbrio entre céu e a terra - chamados de orum e aiye - é alcançado. As oferendas sacralizam o espaço ao seu redor e estendem uma ponte até a transcendência, possibilitando a conexão do homem com o divino. Para as religiões de origem africana, fé e natureza estão imbricadas. Isso nos põe frente à dificuldade do homem urbano, desprovido de ambientes adequados, em atuar sua crença. As praças, parques locais e pequenas áreas verdes, tornam-se então cenários sacralizados. Este ensaio fotográfico descortina também a face estética das oferendas. A presença de alguidares, flores, velas e outros itens, em meio aos elementos urbanos compõe um quadro de fruição estética, uma instalação-acontecimento na paisagem da metrópole.

Trechos retirados do texto Oferendas: indícios do sagrado, de Marcos Palhano, publicado no Caderno de Resumos do I Encontro Internacional de Estudos da Imagem (Londrina: UEL, 2012).

A série do fotógrafo Marcos Palhano chama a atenção por tratar das dinâmicas que envolvem os ritos de oferta no ambiente urbano, incluindo aí as ações posteriores à entrega. São oferendas que agora evidenciam as consequências do tempo, intervenções animais e humanas. Atos sagrados posteriormente maculados por eventos profanos. Outros trabalhos do artista podem ser vistos em sua página na internet: http://olhodobturador.carbonmade.com/

"Ebó III" - Fotografia de Marcos Palhano
da série "Oferendas: Indícios do Sagrado", 2012.

"Ajeun Exu Babá" - Fotografia de Marcos Palhano
da série "Oferendas: Indícios do Sagrado", 2012.
 
"Atá de Exu" - Fotografia de Marcos Palhano
da série "Oferendas: Indícios do Sagrado", 2012.
"Ajeunman a Pombo-Gira" - Fotografia de Marcos Palhanoda série "Oferendas: Indícios do Sagrado", 2012.
"Cigana Padilha" - Fotografia de Marcos Palhanoda série "Oferendas: Indícios do Sagrado", 2012.

"Ebó II" - Fotografia de Marcos Palhano
da série "Oferendas: Indícios do Sagrado", 2012.