terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Lucero

Palo Mayombe, ou simplesmente Palo, é um culto surgido entre os escravos africanos provenientes da região do Congo que aportaram em Cuba. Segundo a sabedoria popular, o nome é uma referência à utilização de paus para a confecção de altares improvisados para a realização de cultos a divindades, chamadas de mpungos. O Palo Mayombe espalhou-se para outros países da América do Sul e Central, como Venezuela e México. A versão sincrética do culto é chamada de Palo Cristiano.

Assentamento (altar) de Lucero. Disponível em:
http://palomontenegro.blogspot.com.es/2012/03/los-veintiun-caminos-de-lucero.html

No Palo Mayombe a entidade que equivale a Exu chama-se Lucero. A entidade também é chamada de Mañunga e Nkuyo. Suas cores são o preto e o vermelho, e é o senhor dos caminhos, apresentando-se sob 21 formas diferentes. São elas:
Lucero Aprueba Fuerza: o senhor das ferrovias.
Lucero Busca Buya: o responsável pelas delegacias.
Lucero Casco Duro: o que vive nas lagoas.
Lucero Catilemba: o que trabalha junto a Kobayende (Omolu/Obaluaê).
Lucero Endaya: o senhor das profundezas.
Lucero Jaguey Grande: o que vive nas montanhas.
Lucero Kabanquiriryó: o que vive nas trevas.
Lucero Kunambembe: o senhor do bem e do mal.
Lucero Madrugá: o que vive perto da Lua.
Lucero Monte Oscuro: o que vive nos trilhos.
Lucero Mundo Nuevo: o que vive nas prisões.
Lucero Patasueño: o que vive nas encruzilhadas.
Lucero Pitilanga: o que vive na praia.
Lucero Prima: o senhor do crepúsculo.
Lucero Rompe Monte: o que vive no teto das casas.
Lucero Sabicunanguasa: o que vive na beira do rio.
Lucero Siete Puerta: o que vive na escuridão.
Lucero Talatarde: senhor das doenças que vive nos hospitais.
Lucero Tronco Malva: o que vive nas quatro esquinas.
Lucero Vence Guerra: o que vive nos problemas.
Lucero Vira Mundo: o que vive nas portas dos cemitérios.

Lucero é assentado - ou firmado - em um arranjo chamado de prenda. As prendas contém diversos elementos intrínsecos a Lucero, como terra dos locais que habita, assessórios que pode usar, ingredientes de seus pratos favoritos etc, de forma a criar um referencial material à entidade.

Ouça o ponto cantado para Lucero:


segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Pombagira

"Pombagira Rosinha" - Leopoldo Tauffenbach, 2010.
<http://www.flickr.com/photos/tauffenbach/7988885954/in/set-72157631542645557>


Na língua ritual dos candomblés angola (de tradição banto), o nome de Exu é Bongbogirá.  Certamente Pombagira (Pomba Gira) é uma corruptela de Bongbogirá, e esse nome acabou por se restringir à qualidade feminina de Exu (Augras, 1989).  Na umbanda, formada nos anos 30 deste século do encontro de tradições religiosas afro-brasileiras com o espiritismo Kardecista francês, Pombagira faz parte do panteão de entidades que trabalham na "esquerda", isto é, que podem ser invocadas para "trabalhar para o mal", em contraste com aquelas entidades da "direita", que só seriam invocadas em nome do "bem" (Camargo, 1961: Prandi, 1991a).

Dona Pombagira, que tem um lugar muito especial nas religiões afro-brasileiras, pode também ser encontrada nos espaços não religiosos da cultura brasileira: nas novelas de televisão, no cinema, na música popular, nas conversas do dia-a-dia.  Por influência kardecista na umbanda, Pombagira é o espírito de uma mulher (e não o orixá) que em vida teria sido uma prostituta ou cortesã, mulher de baixos princípios morais, capaz de dominar os homens por suas proezas sexuais, amante do luxo, do dinheiro, e de toda sorte de prazeres.

No Brasil, sobretudo entre as populações pobres urbanas, é comum apelar a Pombagira para a solução de problemas relacionados a fracassos e desejos da vida amorosa e da sexualidade, além de inúmeros outros que envolvem situações de aflição.  Estudar os cultos da Pombagira permite-nos entender algo das aspirações e frustrações de largas parcelas da população que estão muito distantes de um código de ética e moralidade embasado em valores da tradição ocidental cristã. Pois para Dona Pombagira qualquer desejo pode ser atendido: não há limites para a fantasia humana.

Trechos do artigo Pombagira e as faces inconfessas do Brasil, de Reginaldo Prandi. Disponível em: <http://www.fflch.usp.br/sociologia/prandi/pombagi.htm>.

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Origens de Exu - parte 6: Exu no Novo Mundo

Série de postagens a respeito das origens de Exu com base na investigação de Pierre Verger, apresentada no livro Orixás - Deuses Iorubás na África e no Novo Mundo.

Ogó de Exu. Nigéria, século XIX.
Acervo do Art Institute of Chicago.

Oriundos de diversas partes do continente, os africanos que aportaram nas Américas não possuíam, portanto, uma religião unificada, ainda que muitos deuses (orixás) fossem os mesmos. Por outro lado, os próprios orixás possuem múltiplos aspectos ou facetas, como cita Pierre Verger no livro Orixás - Deuses Iorubás na África e no Novo Mundo, ao falar de Exu:

"Diz-se na Bahia que existem vinte e um Exus, segundo uns, e apenas sete, segundo outros. Alguns dos seus nomes podem passar por apelidos, outros parecem ser letras dos cânticos ou fórmulas de louvores. Eis alguns: Exu-Elegbá ou Exu-Elegbará e seus possíveis derivados: Exu-Bará ou Exu-Ibará, Exu-Alaketo, Exu-Laalu, Exu-Jeto, Exu-Akessan, Exu-Loná, Exu-Agbô, Exu-Larôye, Exu-Inan, Exu-Odora, Exu-Tiriri."

Assim, conforme os africanos vão se agrupando pelo continente, vão estruturando os cultos aos orixás de acordo com as condições que lhes são impostas. Não sendo estas condições idênticas em cada local, os cultos se apresentam sob diferentes nomes e estruturas rituais. Deste modo, não é de se estranhar que Exu igualmente se materialize sob diferentes características e nomes.
No Brasil, Exu permanece como orixá no Candomblé, mas se apresenta como um espírito na Umbanda e na Quimbanda. Neste caso, é chamado exu quando masculino e pombagira quando feminino.
Em Cuba o culto aos orixás é chamado Santería, e o equivalente a Exu é chamado Eleguá e cultuado sob a forma de orixá. A Santería também aportou em outros países da América Latina, como Venezuela e Peru. Também em Cuba desenvolve-se o Palo Mayombe, ou Palo Monte, ou simplesmente Palo e o culto a Lucero. O Palo Mayombe também chega a diversos paises da América do Sul e América Central, incluindo o México.
No Haiti desenvolve-se o Vodu e o culto a Papa Legba.
Por fim, no Suriname, Exu assume o nome Leba no culto conhecido como Winti.

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Origens de Exu - parte 5: Exu no Brasil

 Série de postagens a respeito das origens de Exu com base na investigação de Pierre Verger, apresentada no livro Orixás - Deuses Iorubás na África e no Novo Mundo.

"Exu" - relevo de Carybé que integra o Painel dos Orixás.
Acervo do Museu Afro-Brasileiro - UFBA

No Brasil, como em Cuba, Exu foi sincretizado com o Diabo. Não inspira, porém, grande terror, pois sabe-se que, quando tratado convenientemente, ele trabalha para o bem, quer dizer, pode ser enviado para fazer mal às pessoas más ou àquelas que nos prejudicam ou, ainda, àquelas que nos causam ressentimentos.
Chamam-no, familiarmente, o “Compadre” ou o “Homem das Encruzilhadas” , pois é nesses lugares que se depositam, de preferência, as oferendas que lhe são destinadas.
Poucas pessoas lhe são abertamente consagradas em razão desse suposto sincretismo com o Diabo. A tendência, logo que ele se manifesta, é de acalmá-lo, de fixá-lo, oferecendo-lhe sacrifícios e procedendo à iniciação da pessoa interessada em proveito de seu irmão Ogum, com o qual Exu divide um caráter violento e arrebatado.
O lugar consagrado a Exu é, geralmente, ao ar livre ou no interior de uma pequena choupana isolada ou, ainda, atrás da porta da casa. É simbolizado por um tridente de ferro, plantado sobre um  montículo de terra e, algumas vezes, por uma imagem, igualmente de ferro, representando o Diabo Brandindo o tridente.
A segunda-feira é o dia da semana consagrado a ele. As pessoas que procuram a sua proteção usam colares de contas pretas e vermelhas. As oferendas, de animais e comida, como na áfrica, são-lhe apresentadas antes das dos outros orixás.

Trechos retirados do livro Orixás - Deuses Iorubás na África e no Novo Mundo, de Pierre Fatumbi Verger. Salvador: Corrupio, 1981.

domingo, 12 de janeiro de 2014

Origens de Exu - parte 4: Orixás e sincretismo na América

Série de postagens a respeito das origens de Exu com base na investigação de Pierre Verger, apresentada no livro Orixás - Deuses Iorubás na África e no Novo Mundo.

Ogó de Exu. Nigéria, século XX.
Acervo do Metropolitan Museum of Art.

A presença dessas religiões africanas no novo mundo é uma conseqüência imprevista do tráfico de escravos. Escravos estes que foram trazidos para os diferentes países das Américas e das Antilhas, provenientes de regiões da África escalonadas de maneira descontínua, ao longo da costa ocidental, entre Senegâmbia e Angola. Provenientes, também, da costa oriental de Moçambique e da ilha de São Lourenço, nome dado época a Madagascar. 
Disso resultou, no Novo Mundo, Uma multidão de cativos que não falava a mesma língua, possuindo hábitos de vida diferentes e religiões distintas. Em comum, não tinham senão a infelicidade de estar, todos eles, reduzidos à escravidão, longe das suas terras de origem.
[...]
As convicções religiosas dos escravos eram, entretanto, colocadas a duras provas quando de sua chegada ao Novo Mundo, onde eram batizados obrigatoriamente "para a salvação de sua alma" e devia curvar-se às doutrinas religiosas de seus mestres.

Sincretismo

É difícil precisar o momento exato em que esse sincretismo se estabeleceu. Parece ter-se baseado, de maneira geral, sobre detalhes das estampas religiosas que poderiam lembrar certas características dos deuses africanos.
[...]
Os santos católicos, ao se aproximarem dos deuses africanos, tornavam-se mais compreensíveis e familiares aos recém-convertidos. É difícil saber se essa tentativa contribuiu efetivamente para converter os africanos, ou se ela os encorajou na utilização dos santos para dissimular as sua verdadeiras crenças.
[...]
Nos candomblés, as duas religiões permanecem separadas, e Nina Rodrigues constatava que, em fins do último século, a conversão religiosa não fez mais que justapor as exterioridades muito mal compreendidas do culto católico às suas crenças e práticas fetichistas que em nada se modificaram. Concebem os seus santos ou orixás e os santos católicos como de categoria igual, embora perfeitamente distintos.
Os africanos escravizados se declaravam e aparentavam convertidos ao catolicismo; as práticas fetichistas puderam manter-se entre eles até hoje quase tão extremes de mescla como na África. Depois, as viagens constantes para a África com navegação e relações comerciais diretas facilitaram a reimportação de crenças e práticas, porventura um momento esquecido ou adulterado. Com o passar do tempo, com a participação de descendentes de africanos e de mulatos cada vez mais numerosa, educada num igual respeito pelas duas religiões, tornaram-se eles tão sinceramente católicos quando vão à igreja, como ligados às tradições africanas, quando participam, zelosamente, das cerimônias de candomblé.

Trechos retirados do livro Orixás - Deuses Iorubás na África e no Novo Mundo, de Pierre Fatumbi Verger. Salvador: Corrupio, 1981.

sábado, 11 de janeiro de 2014

Origens de Exu - parte 3: Légba

Série de postagens a respeito das origens de Exu com base na investigação de Pierre Verger, apresentada no livro Orixás - Deuses Iorubás na África e no Novo Mundo.

Estátua de Legba em Ouidah, Benin.
<http://www.flickr.com/photos/moi_of_ra/386900492/>

Entre os fon do ex-Daomé, Èsù-Elégbára tem o nome de Légba. Ele é representado por um montículo de terra em forma de homem acocorado, ornado com um falo de tamanho respeitável. Esse detalhe deu motivo a observações escandalizadas, ou divertidas, de numerosos viajantes antigos e fizeram-no passar, erradamente, pelo deus da fornicação. Esse falo ereto nada mais é do que a afirmação de seu caráter truculento, atrevido e sem-vergonha e de seu desejo de chocar o decoro.

Trecho retirado do livro Orixás - Deuses Iorubás na África e no Novo Mundo, de Pierre Fatumbi Verger. Salvador: Corrupio, 1981.

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Origens de Exu - parte 2: Exu na África

Série de postagens a respeito das origens de Exu com base na investigação de Pierre Verger, apresentada no livro Orixás - Deuses Iorubás na África e no Novo Mundo.


Escultura de Exu. Nigéria, século XIX.
Acervo do Staatliches Museum für Völkerkunde.

Exu é um orixá ou um ebo ra de múltiplos e contraditórios aspectos, o que torna difícil defini-lo de maneira coerente. De caráter irascível, ele gosta de suscitar dissensões e disputas, de provocar acidentes e calamidades públicas e privadas. É astucioso, grosseiro, vaidoso, indecente, a tal ponto que os primeiros missionários, assustados com essas características, compram-no ao diabo, dele fazendo o símbolo de tudo o que é maldade, perversidade, abjeção, ódio, em oposição à bondade, à pureza, à elevação e ao amor de Deus.
Entretanto, exu possui o seu lado bom e, se ele é tratado com consideração, reage favoravelmente, mostrando-se serviçal e prestativo. Se, pelo contrário, as pessoas se esquecerem de lhe oferecerem sacrifícios e oferendas, podem esperar todas as catástrofes Exu revela-se, talvez, dessa maneira o mais humano dos orixás, nem completamente mau, nem completamente bom.
[...]
Exu é o guardião dos templos, das casas, das cidades e das pessoas. É também ele que serve de intermediário entre os homens e os deuses. Por essa razão é que nada se faz sem ele e sem que oferendas lhe sejam feitas, antes e qualquer outro orixá, para neutralizar suas tendências a provocar mal-entendidos entre os seres humanos e em suas relações com os deuses e, até mesmo, dos deuses entre si.
[...]
O lugar consagrado a Exu entre os iorubás é constituído de um pedaço de pedra porosa, chamada Yangi, ou por um montículo de terra grosseiramente modelado na forma humana, com olhos, nariz e boca assinalados com búzios, ou então ele é representado por uma estátua, enfeitada com fieiras de búzios, tendo em suas mãos pequenas cabaças (àdó), contendo os pós por ele utilizados em seus trabalhos. Seus cabelos são presos numa longa trança, que cai para trás e forma, em cima, uma crista para esconder a lâmina de faca que lê tem no alto do crânio.

Trechos retirados do livro Orixás - Deuses Iorubás na África e no Novo Mundo, de Pierre Fatumbi Verger. Salvador: Corrupio, 1981.

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Origens de Exu - parte 1: a definição de orixá

A partir de hoje damos início a uma série de postagens a respeito das origens de Exu com base na investigação de Pierre Verger, apresentada no livro Orixás - Deuses Iorubás na África e no Novo Mundo.

Bastão de madeira para ritual de Exu. Nigéria, século XIX.
Acervo do Brooklyn Museum.

Léo Frabenius é o primeiro a declarar, em 1910, que a religião dos iorubás tal como se apresenta atualmente só gradativamente tornou-se homogênea. Sua uniformidade é o resultado de adaptações e  amálgamas progressivos de crenças vindas de várias direções. Atualmente, setenta anos depois, ainda não há, em todos os pontos do território chamado Iorubá, um panteão dos orixás bem hierarquizado, único e idêntico.
[...]
O orixá é uma força pura, àe imaterial que só se torna perceptível aos seres humanos incorporando-se em um deles.
[...]
Voltando assim, momentaneamente, a terra, entre seus descentes, durante as cerimônias de evocação, os orixás dançam diante deles e com eles, recebem seus cumprimentos, “ouvem as suas queixas, aconselham, concedem graças, resolvem as suas desavenças e dão remédios para as suas dores e consolo para os seus infortúnios. O mundo celeste não está distante, nem superior, e o crente podem conversar diretamente com os deuses e aproveitar da sua benevolência”.
[...]
Na África, cada orixá estava ligado originalmente a uma cidade ou a um país inteiro. Tratava-se de uma série de cultos regionais ou nacionais, Sàngó em Oyó, Yemoja na região de Egbá, Iyewa em Egbado, Ògùn em Ekiti e Ondô, Òun em Ijexá e Ijebu, Erinlé em Ilobu, Lógunède em Ilexá, Otin em Inixá, Òàálà-Obàtálá em Ifé, subdivididos em Òàlúfon em Ifan e Òàgiyan em Ejigbô...

Trechos retirados do livro Orixás - Deuses Iorubás na África e no Novo Mundo, de Pierre Fatumbi Verger. Salvador: Corrupio, 1981.


domingo, 5 de janeiro de 2014

Exu e o Ano Novo - parte 2


O sacerdote de Santeria, ou babalawo, Jose Manuel Estrada, 24, borrifa rum na base da estátua de Eshu-Elegbara no mercado de Cuatro Caminos em Havana, Cuba, segunda, 30 de dezembro de 2013. Cerca de 200 pessoas se reuniram no mais importante mercado de Havana para entoar cantos cerimoniais na língua yorubá e cuspir rum em uma estátua de quase 1 metro banhada de sangue. Dois bodes e dois galos foram sacrificados e seu sangue foi usado para banhar a estátua. Devotos também ofertaram coco, melancia, doces e flores. (AP Photo/Franklin Reyes)

Disponível em:
Texto original em inglês. Tradução do blog Reconstruindo Exu. Acesse o link acima para mais fotos.







segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Exu e o Ano Novo


O projeto Recostruindo Exu deseja a todos os seus leitores, colaboradores e apoiadores um excelente 2014, com todas as proteções de Exu!

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Negação de Exu

O neopentecostalismo, em conseqüência da crença de que é preciso eliminar a presença e a ação do demônio no mundo, tem como característica classificar as outras denominações religiosas como pouco engajadas nessa batalha, ou até mesmo como espaços privilegiados da ação dos demônios, os quais se "disfarçariam" em divindades cultuadas nesses sistemas. É o caso, sobretudo, das religiões afro-brasileiras, cujos deuses, principalmente os exus e as pombagiras, são vistos como manifestações dos demônios. [...]

Insuflados por essa crença, os membros das igrejas neopentecostais muitas vezes invadem terreiros visando destruir altares, quebrar imagens e "exorcizar" seus freqüentadores, o que geralmente termina em agressão física. No Rio de Janeiro, umbandistas do Centro Espírita Irmãos Frei da Luz foram agredidos com pedradas pelos freqüentadores de uma IURD situada ao lado deste Centro, na Abolição. Uma adepta da Tenda Espírita Antônio de Angola, no bairro do Irajá, foi mantida, por dois dias, em cárcere privado em uma igreja evangélica em Duque de Caxias, com o objetivo de renunciar à sua crença e converter-se ao evangelismo. [...]

No interior das igrejas neopentecostais são freqüentes as sessões de exorcismo (ou "descarrego", conforme denominação da Igreja Universal do Reino de Deus – IURD) dessas entidades, que são chamadas a incorporar para em seguida serem desqualificadas e expulsas como forma de libertação espiritual do fiel. [...] São comuns nesses programas os testemunhos de conversão dados por pessoas que se apresentam como antigos freqüentadores de terreiros, são entrevistados pelo pastor e "confessam" os malefícios que teriam sido feitos com a ajuda das entidades afro-brasileiras (chamadas de "encostos"). Os testemunhos mais explorados são os dos que se apresentam como ex-sacerdotes das religiões afro-brasileiras, chamados de "ex-pais-de-encosto", que explicam detalhadamente como faziam os despachos e sua intenção malévola.

Trechos do artigo Neopentecostalismo e religiões afro-brasileiras: Significados do ataque aos símbolos da herança religiosa africana no Brasil contemporâneo, de Vagner Gonçalves da Silva. Mana. Rio de Janeiro, vol.13, no.1, Abril de 2007. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-93132007000100008&lng=en&nrm=iso>.

Abaixo imagens da série Broken Faith/Aterro da Fé, de Iam Godoy. As fotos registram artigos oriundos de um terreiro de umbanda na zona sul de São Paulo que foram abandonados e queimados em um terreno baldio por pais-de-santo, agora convertidos ao neopentecostalismo.

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Exu e a locomoção

Para estar em toda a parte do Universo, Exu é dotado de uma rapidez espantosa, podendo se locomover de uma parte a outra em uma fração de tempo inimaginável. Assim, esse Orixá passou a ser dotado também do poder e o controle da locomoção, da velocidade. E, concomitantemente, mensageiro do Criador, Imolês e Orixás.


Na umbanda, os diversos exus são divididos em falanges, ou linhas, que as classificam a partir de sua área de atuação. Desses domínios há a linha das encruzilhadas e das estradas, o qual fazem parte entidades como Exu 7 Estradas, Exu Capa Preta da Encruzilhada, Exu 7 Caminhos, Exu Tranca Rua. Estes exus se responsabilizam pelo fluxo das coisas e cuidam para que tudo chegue - ou não - ao seu destino. Assim, o automóvel, criação humana que otimiza a locomoção, não só relaciona-se com Exu, mas torna-se seu legítimo instrumento, na medida que encurta as distâncias e proporciona maior eficiência no transporte.

http://www.vice.com/pt_br/read/trabalho-de-domingo-hora-extra


http://www.vice.com/pt_br/read/trabalho-de-domingo-hora-extra

http://www.nozesnafrita.net.br/


http://www.paimaneco.org.br/textos/experiencia-bacana
 
Registro enviado por Maria José Spiteri.
Registro enviado por Luciano Alarkon.


Registro enviado por Drey Martiliano.

Registro enviado por Maria José Spiteri.




segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Iconologia do ebó - parte 7

Série de postagens explorando a iconografia dos ebós apresentados na instalação "Reconstruindo Exu".

Foto de Danilo Menezes.

1- História
A história de Exu no Brasil se inicia com a vinda dos primeiros escravos para cá, trazidos à força pelos colonizadores portugueses. Tragicamente a presença de Exu nessas terras (assim como a de todos os outros orixás) teve como custo o sacrifício de milhões de africanos. Aqui, as penas arrancadas remetem aos africanos cujas vidas foram deliberadamente ceifadas pelos portugueses.


Foto de Danilo Menezes.

1- Sacrifício
Sendo personificações de forças da natureza, todos os orixás estão intimamente associados a elementos de origem mineral, vegetal e animal. Cada entidade possui um animal litúrgico, por exemplo, não raro o mesmo que é oferecido em sacrifício diante da necessidade ritual. Exu possui dois animais litúrgicos: o galo e o bode. Coincidentemente, o galo também é um animal associado à cultura portuguesa na figura do Galo de Barcelos. E aqui se mostra o contraste gritante entre as diferentes visões do mesmo símbolo: sacrificador em nome da soberania de uma cultura e sacrificado por não pertencer a esta cultura.

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Iconologia do ebó - parte 6

Série de postagens explorando a iconografia dos ebós apresentados na instalação "Reconstruindo Exu".

Foto de Danilo Menezes.

1- Arte e criatividade
Sendo uma entidade em íntima conexão com a sexualidade, Exu naturalmente está ligado também aos atos criativos e artísticos. Tanto é que existe uma falange de exus na umbanda que se ocupam da música e da dança, por exemplo. Aqui, a imagem de Exu Capa Preta da Encruzilhada evoca a imagem de Zé do Caixão, personagem criado pelo cineasta José Mojica Marins, em um alguidar ornado por um rolo de película cinematográfica de 8mm e sua respectiva lata ao fundo.

Foto de Danilo Menezes.

2- Oferenda
O marafo é a bebida que se põe a Exu quando se realiza uma oferenda. Sinônimo de cachaça em certas regiões do país, batizou a aguardente que levava o nome do personagem de Mojica. Segundo o diretor, em entrevista ao site Futepoca, a cachaça teve uma curta vida no mercado devido à ganância dos produtores que passaram a fabricar uma bebida de baixíssima qualidade após o sucesso de vendas das primeiras unidades. Para a exposição da obra "Reconstruindo Exu" o rótulo da bebida foi reproduzido e colado em garrafas que foram preenchidas de aguardente e oferecidas ao público que visitou a instalação.

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Iconologia do ebó - parte 5

Série de postagens explorando a iconografia dos ebós apresentados na instalação "Reconstruindo Exu".

Foto de Danilo Menezes.

1- Caminhos
Exu é uma entidade associada à ideia de caminhos e passagens. Como responsável pela comunicação, faz sentido que cuide para que a informação chegue sempre ao seu destino.  Na umbanda muitos dos nomes dos exus confirmam o caráter do encontro, passagem, transposição e percurso: Exu 7 Encruzilhadas, Exu Tranca Rua, Exu Porteira, Exu 7 Estradas, Exu Destranca Rua etc. As correntes, chaves e cadeados são signos que carregam a tanto a ideia de impedimento e proibição em um percurso como a autorização e a exclusividade, o privilégio da passagem. Para a composição deste ebó foi pedido que as pessoas ofertassem chaves, correntes e cadeados, em uma ação simbólica para se desfazerem de quaisquer impedimentos no trajeto em direção aos seus objetivos.

Foto de Danilo Menezes.

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Iconologia do ebó - parte 4

Série de postagens explorando a iconografia dos ebós apresentados na instalação "Reconstruindo Exu".


Foto de Danilo Menezes.

1- Sexualidade e fertilidade
O instrumento mágico de Exu é o ogó, um bastão em formato fálico que representa a sexualidade e a o poder da fertilidade. A fertilidade e o prazer não estão associados somente ao ato sexual, mas a qualquer ato criador, incluindo as manifestações artísticas. Neste ebó evidencia-se esse aspecto apresentando um falo de borracha como um ogó contemporâneo e em um arranjo de pimentas, ingrediente fundamental em oferendas a Exu, que no senso comum está associado ao prazer do ato sexual.

Foto de Danilo Menezes.

domingo, 15 de setembro de 2013

Iconologia do ebó - parte 3

Série de postagens explorando a iconografia dos ebós apresentados na instalação "Reconstruindo Exu".

Foto de Danilo Menezes.

1- Comunicação
Exu é o orixá da comunicação. Intermediário entre os homens e os outros orixás, é dele a responsabilidade de transmitir as mensagens aos destinatários e fazer com que sejam bem compreendidas. A hiper-conectividade como característica da sociedade contemporânea nos apresenta uma série de dispositivos que ampliam a capacidade de comunicação entre os indivíduos. Ao mesmo tempo que não encontramos barreiras que impeçam a comunicação, tornamo-nos muitas vezes redundantes e superficiais. O aparelho de celular é apresentado como ícone deste modelo comunicacional contemporâneo, o modelo da comunicação imediata, mediada pelo dispositivo eletrônico, mas que pode ser esvaziado no conteúdo.

Foto de Danilo Menezes.

2- Farofa
Uma das comidas de Exu é a farofa, em geral preparada com aguardente e dendê. Mas a palavra "farofa" pode ser sinônimo de algo interferente. Segundo Leo Marcos José da Silva, no artigo A gíria como participante do falar brasileiro, o termo pode ser usado para designar uma pessoa que acompanha uma moça e atrapalha ou impede o galanteio, ou ainda como sinônimo de confusão, falatório ou muvuca. A farofa guarda vários aparelhos celulares, atentando para os aspectos da comunicação em tempos de hiper-conectividade.

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Iconologia do ebó - parte 2

Série de postagens explorando a iconografia dos ebós apresentados na instalação "Reconstruindo Exu".

Foto de Danilo Menezes.

1- Garfo de ferro
O garfo de ferro é uma ferramenta usada nos trabalhos dedicados ao assentamento de Exu. O assentamento trata de criar um ponto físico, permanente ou não, que delimita o espaço de manifestação daquela entidade. É a criação de um espaço sagrado em meio ao espaço profano.

Foto de Danilo Menezes.

2- Guias
Guias são colares usados pelos adeptos dos cultos de matriz africana. Amuletos poderosos, capazes de canalizar energias sobrenaturais, protegendo os médiuns. As diferentes cores e tamanhos referem não só a um orixá ou entidade, mas também a relação mantida pelo adepto. De certa forma, a guia é como uma aliança, não rígida e estrita, exigente de fidelidade, mas íntima e fluida, símbolo de uma conexão espiritual. As guias podem mudar de forma e tamanho segundo a intuição do iniciado.
Tanto a guia como o garfo de ferro são símbolos de ligação entre o homem e o mundo físico com o sobrenatural.

Iconologia do ebó - parte 1

Série de postagens explorando a iconografia dos ebós apresentados na instalação "Reconstruindo Exu".

Foto de Danilo Menezes.

1 - Velas e fogo
Na tradição do candomblé cada orixá está intimamente conectado a elementos da natureza. Um dos elementos associados a Exu é o fogo. No sincretismo da umbanda e na visão cristianizada de Exu com a simbologia infernal essa associação ganha contornos mais destacados. As velas carregam as cores de exu na umbanda: preto e vermelho. Vale dizer que existem velas com inúmeros formatos, convenientes ao tipo de trabalho que se está realizando. São muitas as velas específicas para os trabalhos de esquerda, com o formato de exus ou partes do corpo humano ou propriedades materiais, como casas e carros.

Foto de Leopoldo Tauffenbach.

2- Santo Antônio
Na umbanda, o orixá Exu é sincretizado com Santo Antônio. Aqui uma pequena imagem aparece sobre uma caixa de pó cruzado - pó especial para a realização de trabalhos mágicos - onde se lê "EXU". A imagem está no meio de outras duas caixas com os dizeres "ABRE CAMINHOS" e "DESPACHO".

Foto de Leopoldo Tauffenbach.

3- Guardiões
Nas palavras de Reginaldo Prandi, Exu "é também o guardião da porta da rua e o dono das encruzilhadas". Isso explica a presença de imagens de exus nas entradas dos terreiros e das lojas de artigos religiosos. As duas velas em forma de exus fazem referência a esta função atribuída à entidade.

sábado, 7 de setembro de 2013

Contra Exu

"Exu" - escultura de Tamba. Sem data.

Na Universal, vale quase tudo para "despertar a fé das pessoas", ou para convencê-las de que a igreja prega um Evangelho de poder, que, além de verdadeiro, "funciona" na prática. As "sessões espirituais de descarrego", criadas no limiar do novo milênio, constituem um de seus mais recentes e populares experimentos sincréticos. Como se pode perceber, não se trata propriamente de culto a Deus, mas de "sessão" dedicada à imprecação de encostos ou demônios que insistem em "encostar-se" nos adeptos e na clientela da Universal. [...]
Apesar de a imagem genérica em torno do sincretismo remeter-se comumente a uma suposta e tradicional tolerância religiosa dos brasileiros, a opção sincrética da Universal, cumpre frisar, não a levou a suprimir seus rompantes de intolerância nem sua notória hostilidade aos cultos afro-brasileiros. Daí uma das principais razões de seu envolvimento em diversos incidentes e conflitos religiosos ao longo dos anos.

Trecho do artigo Expansão pentecostal no Brasil: o caso da Igreja Universal, de Ricardo Mariano.  Estudos Avançados.  São Paulo,  v. 18, n. 52, 2004.


Os exus [...] são espíritos malignos sem corpo, ansiando por achar um meio para se expressarem neste mundo, não podendo fazê-lo antes de possuírem um corpo. Por isso, procuram o corpo humano, dada a perfeição de funcionamento dos seus sentidos. Existem casos em que por força das circunstâncias eles chegam a possuir animais para cumprir seus intentos perversos.

Trecho do livro Orixás, caboclos e guias: deuses ou demonios?, de Edir Macedo. Rio de Janeiro: Unipro, 2012.

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Exu e a malandragem

"Exu" - obra de Kboco, circa 2002.
Para nossa cultura, a instauração da incerteza causa a insegurança que é associada à fragilidade. Na realidade, a ordem, a certeza, parece que nos trazem a segurança, a estabilidade. Sendo assim, quando nos deparamos com um símbolo como Exu, que carrega consigo a ambiguidade, a constante presença de ruídos, a desestabilidade e a presença de uma fraqueza da consciência, que o remete ao horizonte da loucura, percebemos o quanto ele desconcerta o pensamento que está relacionado à ordem e a uma verdade única.
[...]
Podemos então, em uma analogia, pensar que o compadre e as pombagiras também fazem parte do caráter do povo brasileiro. Detentores da ginga, do malemolejo ao falar, do jogo de cintura, essas entidades encantam os que as procuram por transitarem entre a ordem estabelecida e as condutas transgressivas.
E se a transgressão passou a ser um elemento constituinte da identidade de alguns grupos sociais no Brasil, quando os compadres e pombagiras despontam, há uma identificação de parte do povo com essa marginália sobrevivente e admirada por ser vitoriosa na luta pela vida.

Trechos retirados do artigo Quem não tem governo nem nunca terá: Exu e o jeitinho brasileiro, de Ivete Miranda Previtalli. Revista Verve, n.16. São Paulo: PUCSP, 2009.

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Quadrinhos de Exu

Capa da história em quadrinhos "Zeladores", de Nathan Cornes e Anderson Almeida,
que traz o exu Zé Pilintra como personagem principal.

Zeladores é uma história em quadrinhos de ficção que propõe uma nova roupagem para as lendas e personalidades folclóricas brasileiras. Trazendo os mitos para o nosso tempo e os colocando no contexto urbano de São Paolo – cidade fictícia baseada na capital paulista – Zeladores brinca com o reconhecimento de lugares e eventos reais em meio a acontecimentos bombásticos. Não se trata de heróis uniformizados com roupas colantes e coloridas; no caso de Zeladores, o protagonista é um dos personagens mais carismáticos do folclore brasileiro: Zé Pilintra. Malandro, afrodescendente, habitante da noite e da boemia, é o mais humano dos seres do imaginário popular brasileiro. Acompanhado pelo melhor amigo – Opala 78, detetive paranormal – Zé Pilintra protege São Paolo de ameaças mágicas, agindo como um xerife do além. Neste número de Zeladores, ele enfrenta uma banda funk, reencontra o homem que o matou e visita a Caroxinha, o Barbarruiva e a Mulher de Branco, antes de ser invocado por uma bruxa e o Lobisomem verde dela. Isso tudo no primeiro terço da história.

Texto publicado no site HQ Maniacs em 15/09/2010. Disponível em: <http://hqmaniacs.uol.com.br/principal.asp?acao=noticias&cod_noticia=27240>.

A ideia de trabalhar com Pilintra nasceu quando eu estava trabalhando em uma empresa de produção cinematográfica. Meu trabalho era desenvolver conceitos para algumas séries de animação e, naquela época, estava procurando uma maneira de criar um grupo de super-heróis que tiveram uma forte base no folclore popular. Na fase de pesquisa desses personagens, eu e a equipe de desenvolvimento da produtora nos deparamos com um sem número de lendas e causos onde o sobrenatural atuava como um inimigo onipresente, impondo limites à curiosidade e ambição infinita do homem comum. Dada a natureza desses causos, de esmagadora maioria um tanto escuras e punitivas, alguns personagens se destacaram por seu contraste brutal. Pilintra era um desses. Eu tinha ido a alguns centros de Umbanda na vida, conhecia o Catimbó de vista, porque minha avó trouxe com ela o que aprendeu na juventude do nordeste, mas foi só quando estava engajado na pesquisa que pude conhecer um pouco mais do personagem e me apaixonei completamente pelas suas histórias, pelo seu universo. Do ponto de vista da criação de personagens, um verdadeiro achado. Era humano e, ao mesmo tempo, compartilhava algumas características divinas, transitando entre o mundo dos mortos e dos vivos, supostamente imortal e onipresente, capaz de ajudar quem precisasse em vários terreiros do país ou do planeta simultaneamente, bastando para isso riscar o seu ponto. Ele era um super-herói. Em 2009, a Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo abriu as inscrições para o PROAC HQ, que contemplava projetos de desenvolvimento de histórias em quadrinhos. Pensei que essa seria uma grande oportunidade para o projeto. Foi num papo com o Nathan, tentando explicar como estava difícil encontrar um caminho para a história que acabei pedindo sua ajuda e ele concordou em escrever o roteiro da HQ. Nathan Cornes é um dos maiores escritores que já tive o prazer de conhecer. Ele trabalhou com séries de animação, é muito rápido e o fato de termos trabalhado juntos em outros projetos e do cara ser um dos meus melhores amigos fez com que o trabalho começasse a decolar. Por decolar, diga-se um completo redesenho do projeto excluindo toda a parte religiosa e criando um universo contemporâneo, mais dinâmico e cartunesco para abrigar os personagens, todos releituras de lendas brasileiras. A partir desse momento, onde o Nathan escrevia como quem psicografa e eu desenhava como uma impressora a laser, posso dizer que dava pra sentir o Pilintra com a gente, entre uma chachaça e outra, sensação que se repetiu com cada vez mais frequência até a conclusão do projeto e seu lançamento, em 2010. A HQ ficou muito bacana e é um trabalho que me sinto horado de ter desenvolvido junto com o Nathan.


Depoimento de Anderson Almeida especialmente para o projeto Reconstruindo Exu.

Zeladores é um projeto de autoria de Nathan Cornes e Anderson Almeida. Abaixo estão algumas páginas da história, cuja versão completa pode ser lida no site oficial do projeto Zeladores: <http://www.zeladores.net/>.




Santinho de Zé Pilintra produzido por ocasião do lançamento da HQ "Zeladores".